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Capítulo № 21 · 1947 – present

Sem necessidade de conspiração

Uma conspiração pode ser presa. O que o registo mostra é pior: uma estrutura que funciona sem nenhuma.

Mont PèlerinThirty-nine founders, 1947TuriGramsci’s cell, 1928–1935ParisBourdieu at the Collège de FranceNew YorkMills at ColumbiaWashingtonThe memorandum’s harvestChicagoThe counter-doctrine’s school2 000 kmN
Atlas Onde aconteceu. The structure’s visible addresses. A hotel above Lake Geneva where the long campaign was founded as a learned society, with proceedings; a prison cell in Puglia where hegemony was named; the Collège de France, where the machinery of inherited merit was measured; Columbia, where the power elite was mapped as a structure rather than a plot; Chicago, where the counter-doctrine was schooled; and Washington, where the Powell memorandum’s programme of funded chairs and standing legal foundations was carried out in the open. Nothing on this map was secret. That is the argument.
Cronologia

Quando aconteceu

  1. 1926 "Stop this brain" Gramsci arrested; the prosecutor demands twenty years without the brain functioning. The notebooks begin in 1929.
  2. 1935 The salary line Sinclair, freshly slandered out of the California governorship, compresses the sociology of ideology into one sentence.
  3. April 1947 Mont Pelerin The long campaign founded as a learned society: statement of aims, conferences, proceedings. Elite coordination, minuted.
  4. 1956 The Power Elite Mills maps three interlocking hierarchies and explicitly disclaims conspiracy: the coincidence of interest does the work.
  5. 1966 Reification named Berger and Luckmann: institutions made by people confront the next generation as facts of nature.
  6. 1970 La Reproduction Bourdieu and Passeron measure the schools consecrating inheritance as merit.
  7. 1971 The memorandum and the burglary Powell’s open programme for a counter-establishment leaks, to no scandal; eight burglars in Media, Pennsylvania end COINTELPRO with a mailing. The structure survives exposure; the conspiracy does not.
  8. 1988 Manufacturing Consent Five filters staff the press with sincere believers. The model is mistaken for a conspiracy theory to this day.
  9. 2011 The Folly of Fools Trivers: self-deception evolves in the service of deception. The best liar believes it.
  10. 2014 The spreadsheet Gilens and Page: elite preferences predict policy; the median voter’s, controlled for elite opinion, predict almost nothing. No leak required.
A century of the machine being described, by people who kept insisting they had found no plot: a prisoner, a handful of sociologists, a novelist who ran for governor, and two political scientists with a spreadsheet.

Os termos assinalados têm uma definição curta: passe o cursor ou toque no ecrã tátil.

«É difícil fazer um homem compreender uma coisa quando o seu salário depende de ele não a compreender.»

— Upton Sinclair, I, Candidate for Governor: And How I Got Licked, 1935

Vinte capítulos desta crónica descreveram já cinco séculos de comportamento tão consistente que parece planeado: a mesma fronteira traçada e retraçada, os mesmos argumentos fornecidos a horas, os mesmos interesses servidos sob cinco vocabulários. A inferência natural, e a mais antiga, é que alguém o está a planear: um comité, uma linhagem, uma sala. Este capítulo é onde a crónica para para dizer, com todo o cuidado que consegue, que a inferência é falsa e que o que as provas mostram é pior. Uma conspiração pode ser exposta e detida. O que o registo documenta de facto é uma estrutura que se reproduz sem instruções, seleciona o seu próprio pessoal, fabrica a sua própria sinceridade e lucra com as teorias da conspiração que sobre ela se contam.

Por que parece coordenado

Comecemos pelo caso que mais se parece com uma conspiração, porque o capítulo 16 já o documentou. Quando os Estados Unidos derrubaram o governo da Guatemala em 1954, o secretário de Estado era um antigo advogado da United Fruit Company, o irmão dirigia a CIA e estivera ligado à consultoria do conselho da empresa, e a operação serviu com precisão os interesses da companhia. Aqui está, certamente, a sala.

Mas olhe mais de perto para o que os documentos (todos desclassificados desde então) realmente mostram, e a sala dissolve-se. Ninguém subornou os irmãos Dulles; não era preciso dizer-lhes o que a United Fruit precisava, porque tinham passado trinta anos a tornar-se o tipo de homens a quem não é preciso dizer. A sociedade de advogados, o clube, o conselho e o departamento eram um único contínuo social que selecionava uma única visão do mundo, e os irmãos acreditavam sinceramente que o interesse da empresa, a estabilidade do hemisfério e a preferência de Deus pela livre iniciativa eram uma só coisa. Isso não é uma conspiração. É algo mais barato e muito mais duradouro: interesses convergentes mais formação partilhada, a produzir comportamento coordenado sem coordenador, do modo como mil estorninhos viram juntos sem ave-guia.1

C. Wright Mills defendeu exatamente isto em 1956, no livro cujo título é habitualmente mal lido como tese conspirativa. A elite do poder, insistia, não é uma camarilha secreta mas três hierarquias entrelaçadas (empresarial, militar, política) cujo pessoal de topo circula pelos mesmos cargos, casa nas mesmas famílias e absorve a mesma definição de realidade nas mesmas escolas, de modo que «a conceção da elite do poder… não assenta no pressuposto de uma conspiração»; a coincidência de interesses faz o trabalho que de outro modo teria de fazer um complô, abertamente e de forma legal.2

Como a estrutura se copia

Uma estrutura sem sede precisa ainda de um mecanismo de herança, e a sociologia passou um século a documentá-lo.

Cria o seu próprio pessoal. Pierre Bourdieu dedicou uma carreira a medir como as escolas de elite convertem vantagem herdada em mérito certificado: a criança chega com as disposições da sua classe (o sotaque, a desenvoltura, as referências, aquilo a que chamou ), a escola examina precisamente essas disposições e chama talento ao resultado, e o diplomado sai a acreditar, com perfeita sinceridade, que mereceu o lugar. Assim se reproduz a hierarquia e, crucialmente, se a consagra: fá-la parecer natureza. O capítulo 13 viu construir-se a versão de massas desta máquina; Bourdieu auditou o piso executivo.3

Fabrica o seu próprio senso comum. Antonio Gramsci, escrevendo numa prisão fascista cadernos que demoraram uma geração a chegar à imprensa, perguntou por que os explorados tão raramente se revoltam, e respondeu: porque o instrumento principal da dominação não é a polícia mas a sala de aula, o jornal e o púlpito, que instalam a descrição do mundo dos governantes como o senso comum de todos. Chamou a esse arranjo hegemonia, e a sua assinatura é não precisar de imposição exatamente nos momentos em que funciona: as piscinas esvaziadas do capítulo 18 foram votadas. O procurador no seu julgamento pediu ao tribunal para «impedir este cérebro de funcionar durante vinte anos»; os cadernos são a resposta do cérebro.4

Esquece que foi construída. Berger e Luckmann deram nome ao último passo: reificação. As instituições são feitas por pessoas, mas uma geração depois apresentam-se à coorte seguinte como factos da natureza, «o que há», e as categorias do capítulo 8, inventadas na memória viva de um cronista português, estavam a ser medidas com craveiras como biologia dois séculos mais tarde. Nada nesta crónica foi mais consequente do que a velocidade com que um artefacto pode esquecer o seu próprio fabrico.5

Seleciona crentes. Nenhum diretor precisa alguma vez de mandar um jornalista lisonjear o proprietário; o jornalista que precisa que lho mandem não chega a diretor. O «modelo de propaganda» de Herman e Chomsky, rotineiramente tomado por teoria da conspiração, é a sua refutação explícita: cinco filtros estruturais (propriedade, publicidade, fontes, represálias, ideologia) produzem uma imprensa complacente a partir de jornalistas inteiramente sinceros, cada um dos quais pode dizer com verdade que nunca lhe disseram o que escrever. O filtro não censura; contrata.6

Retrato de Antonio Gramsci
Antonio Gramsci. O tribunal de Mussolini condenou-o a vinte anos para «impedir este cérebro de funcionar»; na cela descobriu por que raramente é preciso parar cérebros: a primeira linha de defesa de uma ordem dominante não é a repressão, mas a instalação silenciosa da sua visão do mundo como senso comum.Wikimedia Commons · domínio público

As provas incriminatórias estão arquivadas à vista

A prova mais forte contra a teoria do comité secreto é o aspeto que têm as coisas mais parecidas com provas incriminatórias. São documentos públicos, e são espantosamente banais.

Em 1947, trinta e nove economistas, historiadores e jornalistas reuniram-se num hotel em Mont Pèlerin, acima do lago Lemano, para organizar a longa campanha intelectual contra o acordo do pós-guerra. Fundaram uma sociedade, publicaram uma declaração de objetivos e realizaram congressos com atas. Em 1971, dois meses antes da sua nomeação para o Supremo Tribunal, o advogado de empresas Lewis Powell escreveu um memorando confidencial para a Câmara de Comércio americana em que sustentava que a livre iniciativa americana estava sob ataque e que o mundo empresarial devia construir, com paciência e abertamente, um contra-establishment: cátedras financiadas, manuais vigiados, académicos afins, fundações jurídicas permanentes. O memorando foi divulgado em menos de um ano, sem escândalo, e a recomendação foi simplesmente executada: os think tanks, os escritórios de litigância estratégica e as cátedras dotadas da década seguinte, vários dos quais esta crónica já encontrou, correspondem ao seu programa o suficiente para que os historiadores discutam apenas graus de influência.7

Repare no que estes documentos não são. Não são planos para fazer nada de secreto; são exortações a fazer abertamente o que o dinheiro pode fazer legalmente: financiar, publicar, dotar, litigar, repetir. Por isso puderam ser divulgados sem consequências. A conspiração é o instrumento caro de que se precisa quando a estrutura não faz o trabalho sozinha. Onde os incentivos já estão alinhados, a coordenação pode ser publicada, lavrada em ata e deduzida nos impostos, e é. A Conferência de Berlim publicou o seu Ato Geral; a Administração Federal de Habitação imprimiu os seus critérios de linha vermelha num manual; o memorando Powell foi enviado pelo correio. O escândalo do arquivo não é estar escondido. É estar arquivado.

Acreditar nas próprias mentiras

A última exigência do sistema é psicológica. Os seus operadores têm de conseguir fazê-lo funcionar experimentando-se a si próprios como decentes, e o registo desta crónica é o de que, na esmagadora maioria, conseguem. Zurara chorou pelos escravizados de Lagos enquanto inventava o argumento para os escravizar, e não há razão para duvidar nem das lágrimas nem da crença. Os missionários do capítulo 10 acreditavam sinceramente. O bispo Classe acreditava sinceramente. Os quadros da Exxon do capítulo 19 leram as projeções dos seus próprios cientistas e financiaram a dúvida na mesma, e o registo interno sugere menos vilania gargalhante do que uma convicção lenta e motivada de que os modelos seriam demasiado pessimistas, de que a economia vinha primeiro, de que alguém resolveria aquilo.

O biólogo Robert Trivers fornece o mecanismo: o autoengano evolui ao serviço do engano, porque o mentiroso mais convincente é aquele que primeiro se enganou a si próprio e não mostra a tensão da fraude consciente. Amplifique-se isso pelas escolas de Bourdieu e pelos meios giratórios de Mills e obtém-se uma elite que não finge que os seus privilégios são merecidos e o seu sistema benévolo: foi cuidadosamente criada para ser incapaz de o ver de outro modo, e a sua sinceridade não é uma circunstância atenuante, mas o produto culminante da estrutura: o salário psicológico do capítulo 20, pago no topo da pirâmide na moeda da estima própria. A frase de Sinclair sobre o salário, de um homem que acabara de ver uma campanha de imprensa de um milhão de dólares convencer a Califórnia de que um romancista era bolchevique, é toda esta secção em vinte e cinco palavras.8

O teste da fuga de informação

Nada disto significa que não existam conspirações. Esta crónica está cheia delas: e no capítulo 16, a campanha do COINTELPRO contra o movimento dos direitos civis, a coordenação da indústria tabaqueira, o conhecimento interno da Exxon. Mas repare no que todas as reais têm em comum: foram pequenas, de objetivo limitado, de duração limitada, e vazaram. Oito amadores esvaziaram uma delegação do FBI em Media, na Pensilvânia, em 1971, e acabaram com o COINTELPRO com um envio postal. Os golpes da CIA estão no seu próprio papel timbrado desclassificado. Os arquivos do tabaco saíram num processo; os memorandos da Exxon, no jornalismo. Os segredos guardados por milhares degradam-se em anos, uma taxa de falha que pode ser modelada matematicamente, e foi.9

Aplique agora o teste ao padrão de cinco séculos. Um complô que abrangesse vinte gerações e milhões de participantes seria o objeto mais catastroficamente propenso a fugas da história, e não produziu nenhum memorando, porque não há memorando a produzir. Entretanto, aquilo que existe de facto pode ser medido à vista: quando politólogos testaram perto de dois mil resultados de política pública americana contra as preferências do eleitor mediano e das elites económicas, as preferências das elites previam a política e as do eleitor mediano, uma vez controlada a opinião das elites, não previam quase nada. Essa conclusão não precisou de informador nem de fuga. Precisou de uma folha de cálculo, porque o poder estrutural, ao contrário da conspiração, não se esconde. Não pode; é feito de instituições.10

E aqui a crónica tem de acrescentar a sua observação mais feia: a teoria da conspiração não é apenas uma rival equivocada da análise estrutural; é um dos mecanismos de defesa da própria estrutura. Quando a produção da máquina se torna demasiado visível para ser negada, chega a teoria para lhe dar um rosto, e o rosto que lhe é dado, dos Protocolos dos Sábios de Sião, passando pela propaganda nazi do capítulo 15, até à doutrina da «substituição» do capítulo 20, é com monótona regularidade judaico. O complô forjado personaliza o impessoal, desvia a raiva dos próprios perdedores brancos do sistema de castas do sistema para um bode expiatório, e protege assim exatamente os arranjos que diz desmascarar. Uma crónica que traficasse conspirações não estaria apenas errada. Seria um elemento portante.

Retrato oficial do juiz Lewis Powell, 1976
Lewis F. Powell Jr. O seu memorando de 1971 para a Câmara de Comércio, o mais próximo de um documento fundador que o sistema de castas do pós-guerra tem, não propunha nada de ilegal nem de secreto: dotar, publicar, litigar, repetir. Vazou em menos de um ano, sem consequências. A conspiração é o que é preciso quando a estrutura não faz o trabalho; a estrutura fez o trabalho.Supremo Tribunal dos EUA · Wikimedia Commons · domínio público
Onde este capítulo discute consigo mesmo

A estrutura dissolve a culpa? Se a elite é criada na sua cegueira, selecionada pela sua sinceridade e coordenada apenas por incentivos, terá este capítulo absolvido discretamente todos aqueles que dezanove capítulos acusaram?

Não, e o registo mostra porquê. Em cada dobradiça, indivíduos com nome tiveram alternativas vivas à sua frente e escolheram: alguns médicos aderiram às sociedades eugénicas e outros testemunharam contra elas; alguns clérigos defenderam a ordem racial e outros, a custo real, não; os membros do Conselho de Segurança de 21 de abril de 1994 ouviram os argumentos a favor do reforço antes de votarem a retirada. A estrutura explica por que remover um vilão muda tão pouco; não converte escolhas em meteorologia. A crónica dá nomes não porque os nomes sejam a explicação, mas porque a responsabilidade é a única coisa desta história que não se reproduz sozinha. E a defesa da sinceridade falha nos seus próprios termos: uma formação que torna os poderosos incapazes de ver o dano que administram é um falhanço moral que levou séculos a construir, e os seus beneficiários financiam-lhe a manutenção.

Em frente

Isto fecha o quinto movimento da crónica. A máquina foi agora descrita em escala completa: a fronteira (capítulo 1), o império que a tornou portátil (capítulos 2 a 7), a raça que a industrializou (8 a 11), a nação que a escolarizou (12 a 15), o sistema de castas que a defende sem comité (16 a 21). O que se segue é o aspeto que todo o aparelho tem visto de baixo, num pequeno país que o recebeu todo: a etnografia missionária, o bilhete de identidade, os bispos sinceros, o abandono estrutural, e nenhuma conspiração em lado nenhum, apenas a máquina, a funcionar. A parte VI começa nas colinas, antes de a máquina chegar.

Notas

  1. Stephen Kinzer, The Brothers: John Foster Dulles, Allen Dulles, and Their Secret World War (Nova Iorque: Times Books, 2013); Piero Gleijeses, Shattered Hope (Princeton: Princeton University Press, 1991). A própria retrospetiva da CIA, Secret History de Nick Cullather (desclassificada em 1997), é explícita sobre o pouco que era preciso explicar a quem quer que fosse. ↩
  2. C. Wright Mills, The Power Elite (Nova Iorque: Oxford University Press, 1956), cap. 12, onde a ressalva quanto à conspiração é explícita; G. William Domhoff, Who Rules America? (Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1967) e edições sucessivas para a atualização empírica. ↩
  3. Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron, La Reproduction (Paris: Minuit, 1970); Bourdieu, La Distinction (Paris: Minuit, 1979) e La Noblesse d'État (Paris: Minuit, 1989). ↩
  4. Antonio Gramsci, Quaderni del carcere, escritos entre 1929 e 1935, publicados entre 1948 e 1951; em inglês, Selections from the Prison Notebooks, ed. de Hoare e Nowell-Smith (Londres: Lawrence & Wishart, 1971). O pedido do procurador consta das biografias padrão, entre elas Giuseppe Fiori, Antonio Gramsci: Life of a Revolutionary (1965; ed. inglesa Londres: NLB, 1970). ↩
  5. Peter L. Berger e Thomas Luckmann, The Social Construction of Reality (Nova Iorque: Doubleday, 1966), parte II, sobre a reificação. ↩
  6. Edward S. Herman e Noam Chomsky, Manufacturing Consent: The Political Economy of the Mass Media (Nova Iorque: Pantheon, 1988), cujo primeiro capítulo afirma nos seus termos que o modelo «não é uma teoria da conspiração»; a seleção é feita pelo mercado. ↩
  7. Sobre Mont Pèlerin: Philip Mirowski e Dieter Plehwe (eds.), The Road from Mont Pèlerin: The Making of the Neoliberal Thought Collective (Cambridge, MA: Harvard University Press, 2009). O memorando Powell, «Attack on American Free Enterprise System» (23 de agosto de 1971), está publicado na íntegra pelo Arquivo Powell da biblioteca jurídica da Universidade Washington and Lee; sobre a sua posteridade, Kim Phillips-Fein, Invisible Hands (Nova Iorque: Norton, 2009), que também é cuidadosa quanto aos limites da sua influência. ↩
  8. Robert Trivers, The Folly of Fools: The Logic of Deceit and Self-Deception in Human Life (Nova Iorque: Basic Books, 2011); Ziva Kunda, «The Case for Motivated Reasoning», Psychological Bulletin 108:3 (1990), pp. 480–498; Upton Sinclair, I, Candidate for Governor: And How I Got Licked (Pasadena: o autor, 1935), sobre a campanha contra a sua candidatura EPIC de 1934. ↩
  9. Betty Medsger, The Burglary: The Discovery of J. Edgar Hoover's Secret FBI (Nova Iorque: Knopf, 2014); David Robert Grimes, «On the Viability of Conspiratorial Beliefs», PLOS ONE 11:1 (2016), e0147905, para o modelo de degradação. ↩
  10. Martin Gilens e Benjamin I. Page, «Testing Theories of American Politics: Elites, Interest Groups, and Average Citizens», Perspectives on Politics 12:3 (2014), pp. 564–581. Sobre os Protocolos e a função política do conspiracionismo, Norman Cohn, Warrant for Genocide (Londres: Eyre & Spottiswoode, 1967); Richard Hofstadter, «The Paranoid Style in American Politics», Harper's Magazine, novembro de 1964. ↩
Dramatis personae

Quem esteve envolvido

  1. Figuras

    Antonio Gramsci

    1891 – 1937 Theorist of hegemony; political prisoner

    Common sense, audited

    Mussolini’s prosecutor demanded the court stop this brain from functioning for twenty years; in his cell, in notebooks that took a generation to reach print, the brain worked out why stopping brains is rarely necessary. Domination’s main instrument is not the police but the schoolroom, the newspaper and the pulpit, which install the rulers’ description of the world as everyone’s common sense; he called the arrangement hegemony, and its signature is that it needs no enforcement at exactly the moments it is working.

    Gramsci, Selections from the Prison Notebooks (1971)

  2. Figuras

    C. Wright Mills

    1916 – 1962 Sociologist

    The coincidence of interest, mapped

    The Columbia sociologist whose Power Elite (1956) is routinely misread as a conspiracy claim and was written as its refutation: three interlocking hierarchies, corporate, military and political, whose personnel circulate among the same posts and absorb the same definition of reality at the same schools, producing coordination that needs no committee. He died at forty-five, having spent his last years insisting that the elite’s power was structural, legal, and conducted in the open.

    Mills, The Power Elite (1956)

  3. Figuras

    Pierre Bourdieu

    1930 – 2002 Sociologist

    Inheritance, audited as merit

    A postman’s son from the Pyrenees who reached the Collège de France and spent his career measuring the machine that had admitted him: elite schools examine the dispositions a child inherits, the accent, the ease, the references, and certify the result as talent, so that the hierarchy is reproduced and consecrated in the same motion. His word for the inherited equipment, habitus, is the answer to the question of how a structure coordinates its personnel without instructions: it raises them.

    Bourdieu and Passeron, La Reproduction (1970) · Bourdieu, La Noblesse d’État (1989)

  4. Fações

    The Mont Pelerin Society

    from 1947 Neoliberal thought collective

    The long campaign, with proceedings

    Thirty-nine economists, historians and journalists met at a hotel above Lake Geneva in 1947 to organise the intellectual campaign against the postwar settlement, and did it in the manner of a learned society: a statement of aims, conferences, proceedings. It is what actual elite coordination looks like, which is why conspiracy theorists ignore it: public, minuted, tax-deductible, and patient enough to wait thirty years for its moment.

    Mirowski and Plehwe (eds), The Road from Mont Pèlerin (2009)

  5. Figuras

    Lewis F. Powell Jr.

    1907 – 1998 Corporate lawyer; Supreme Court justice, 1972–1987

    The counter-establishment, minuted

    Two months before his nomination to the Supreme Court he wrote a confidential memorandum for the Chamber of Commerce urging business to build a counter-establishment: funded chairs, monitored textbooks, standing legal foundations. It leaked within a year, to no scandal, because it proposed nothing secret and nothing illegal, and the think tanks of the following decade match its programme closely. It is the nearest thing the postwar caste system has to a founding document, and it is filed in a university library.

    Powell Archives, Washington and Lee University · Phillips-Fein, Invisible Hands (2009)

  6. Figuras

    Upton Sinclair

    1878 – 1968 Novelist; candidate for governor of California, 1934

    The salary, named

    His novel about the Chicago stockyards moved a president to regulate meat rather than wages, and he summarised the lesson himself: he aimed at the public’s heart and by accident hit it in the stomach. Twenty-eight years later, after a million-dollar press campaign convinced California that a novelist was a Bolshevik, he compressed the sociology of ideology into a single sentence about a man’s salary and his understanding, which this chronicle uses as the epigraph it is.

    Sinclair, I, Candidate for Governor (1935)

  7. Figuras

    Robert Trivers

    b. 1943 Evolutionary biologist

    The sincerity, explained

    His theory of self-deception supplies the psychological load-bearing wall of this chronicle: deceiving yourself first makes you a better deceiver of others, because the sincere show none of the strain of conscious fraud. Scaled up through schools and careers, it explains the observation that recurs from Zurara to the oil companies: the operators of the machine are not pretending to believe in it. They have been raised to be unable to see it.

    Trivers, The Folly of Fools (2011)

  8. Figuras

    Martin Gilens and Benjamin Page

    b. 1957 and 1940 Political scientists

    The spreadsheet, not the leak

    They tested nearly two thousand American policy outcomes against the preferences of median voters and economic elites, and found that elite preferences predicted policy while the median voter’s, once elite opinion was controlled for, predicted almost nothing. The finding required no informant, no leak and no theory of a hidden hand, which is the point: structural power, unlike conspiracy, does not hide, because it is made of institutions.

    Gilens and Page, Testing Theories of American Politics (2014)

rwandafacts Uma crónica académica, com fontes.
O conteúdo é anotado; correções são bem-vindas.