rwandafacts
← Todos os capítulos
Capítulo № 02 · c. 1200 BCE – 135 CE

A Judeia sob o império

O judaísmo primitivo, o tapete rolante imperial, e porque é que os impérios têm de continuar a consumir para se manterem vivos.

Deportation, 722 BCEThe exile, 586 BCEThe grain fleetTemple spoils and captives, 71 CERomeThe centre that did not produce enough of its ownJerusalemTemple destroyed 586 BCE and again 70 CELachishSennacherib, 701 BCENinevehAssyriaBabylonThe exile, 586 BCEAlexandriaEgypt reduced to a granaryLas MédulasGold by ruina montiumRío TintoSilver and lead — legible in Greenland iceSamariaIsrael destroyed, 722 BCEMediterranean1 000 kmN
Atlas Onde aconteceu. An extraction machine, drawn as a set of arrows. Judah sits on the corridor between the Nile and Mesopotamia, which is a geographic sentence that determines a thousand years of its politics: everything that wants to move between the great powers moves through it. The arrows run one way. Silver and lead came out of Iberia, grain out of Egypt, deportees out of Samaria and Jerusalem, and the Temple treasure went to Rome to pay for an arch commemorating its own capture.
Cronologia

Quando aconteceu

  1. 722 BCE Assyria destroys the northern kingdom Elite deportation adopted as standing imperial policy.
  2. 701 BCE Sennacherib takes Lachish Judah survives as a tributary. The palace relief at Nineveh is the receipt.
  3. 586 BCE Jerusalem and the Temple destroyed The Judaean elite deported to Babylon; most of the biblical history is written after this.
  4. 539 BCE Cyrus permits the return Imperial policy, not benevolence: a loyal temple state is cheaper than a garrison.
  5. 332 BCE Alexander, then the Ptolemies and Seleucids A Greek-speaking urban elite over an Aramaic-speaking countryside.
  6. 167–160 BCE The Maccabean revolt The one clear win, and the memory that would fuel every later attempt.
  7. 63 BCE Pompey annexes Judaea He enters the Holy of Holies, reportedly out of curiosity.
  8. 37–4 BCE Herod, client king Monumental building financed by monumental taxation.
  9. 6 CE Direct Roman rule; the census of Quirinius A tax assessment triggers the revolt of Judas the Galilean.
  10. 66–73 CE The First Jewish–Roman War Jerusalem and the Temple destroyed; mass enslavement; the fiscus Judaicus imposed.
  11. 132–135 CE The Bar Kokhba revolt crushed Jews barred from Jerusalem; the province renamed Syria Palaestina.
A thousand years of somebody else’s administration. The right-hand column of a subject people’s history is what its religious literature is written out of: a literature obsessed with exile, with judgement on foreign kings, and with a coming reversal is not a national temperament. It is a job description.

Os termos assinalados têm uma definição curta: passe o cursor ou toque no ecrã tátil.

«Fazem um deserto e chamam-lhe paz.»

— Tácito, pondo as palavras na boca do chefe caledónio Calgaco, Agrícola 30

Os impérios não têm má reputação por a terem ganho por acidente. Têm a reputação que têm por causa do que são: máquinas para levar a comida, o metal, a madeira e os corpos de outros para um centro que não produz o suficiente. A descrição soa polémica. É na verdade a técnica, e nenhum império antigo a contestou; o que estava gravado no monumento era a lista de tributos.

Este capítulo segue um povo pequeno ao longo de mil anos a ser administrado por outrem, porque o seu caso está invulgarmente bem documentado e porque a literatura religiosa que produziu (a Bíblia hebraica, os escritos apocalípticos e, por fim, o Novo Testamento) é uma literatura escrita sob ocupação, pelos ocupados. Não se pode lê-la corretamente sem esse facto. Os capítulos 3 a 7 dependem inteiramente dele.

O que é de facto um império

Retire-se o mármore. Um império é uma unidade política que resolveu o seu problema de recursos tomando os recursos de outros e se organizou depois permanentemente em torno dessa solução. Daí decorrem três consequências, e são falhas estruturais e não morais de imperadores em concreto.

Tem de continuar a expandir-se, ou contrair-se dolorosamente. A conquista só se paga a si própria durante a conquista. A república tardia de Roma vivia da pilhagem de novas províncias e dos cativos escravizados que trabalhavam as propriedades que a pilhagem comprava; quando a fronteira parou de se mover sob os sucessores de Augusto, a máquina fiscal teve de ser substituída pela tributação sistemática dos já conquistados, que é um problema político muito mais difícil e que Roma nunca resolveu por completo.1 A crise do império no século III é, entre outras coisas, o aspeto que essa aritmética tem quando vence.

Tem de manter uma fronteira moral entre quem toma e quem é tomado. Uma extração desta escala não pode ser justificada entre iguais, e por isso nunca é justificada entre iguais. O vocabulário de Roma é explícito: barbarus, provincia, servus. Aristóteles já fornecera a versão filosófica (a doutrina do escravo natural, a pessoa para quem a servidão é adequada), e ela continuava a ser citada por juristas espanhóis dois mil anos depois para defender a conquista das Américas.2 É a maquinaria do capítulo 1, a funcionar à escala imperial.

É enormemente desperdiçador. É o ponto menos apreciado. O império não é eficiente; é extrativo, que é coisa diferente. A produção romana de prata e chumbo em Rio Tinto e no noroeste espanhol é hoje legível como um pico de poluição nos testemunhos de gelo da Gronelândia, e as minas de ouro de Las Médulas foram feitas demolindo montanhas inteiras com pressão de água; os romanos chamavam à técnica , a destruição das montanhas, e Plínio-o-Velho, que administrou minas em Espanha, descreveu o resultado com algo próximo do horror.3 Acrescente-se a desflorestação do Norte de África e da Ibéria, as frotas de cereais que transformaram o Egito num celeiro de fim único, e um número estimado de um a um milhão e meio de pessoas escravizadas só nas guerras da Gália. Nada disto foi subproduto. Era o modelo de negócio.

Relevo assírio em pedra mostrando o cerco de Laquis, com rampas de assalto, arqueiros e deportados
O cerco de Laquis, 701 a.C., esculpido para o palácio de Senaqueribe em Nínive. A segunda cidade de Judá a ser tomada, a população a sair em colunas. O relevo é publicidade de Estado: é isto que acontece. Os impérios documentam as próprias atrocidades porque a dissuasão faz parte do produto.Foto de Mike Peel · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

Mil anos de administração alheia

Os reinos de Israel e de Judá eram pequenas entidades das terras altas num corredor entre as grandes potências do Nilo e da Mesopotâmia, frase geográfica que determina tudo o resto. A arqueologia situa hoje o seu surgimento em larga medida nas terras altas cananeias e não numa chegada em massa vinda de fora, e data a composição de quase toda a narrativa histórica bíblica de séculos depois dos acontecimentos que descreve, no reino de Judá e no exílio.4 Isso importa aqui por uma razão: os textos não são crónicas neutras. São literatura nacional escrita por gente a processar uma catástrofe.

Aquilo contra o qual essa literatura foi escrita importa tanto como o que ela diz. A religião realmente praticada no Israel e em Judá da Idade do Ferro não era a religião que a Bíblia prescreve. A síntese de Ziony Zevit das provas arqueológicas, epigráficas e textuais (as bênçãos de Kuntillet ʿAjrud e de Khirbet el-Qom a invocar «Javé e a sua aserá», as figurinhas domésticas, as pedras erguidas, os muitos santuários locais) descreve não um monoteísmo com deslizes mas um culto plural: Javé adorado a par de outras potências, em muitos locais, em formas que variavam por região e por casa.5 O ponto de método de Zevit é o que aqui importa. Não havia uma única «religião do antigo Israel» à qual se pudesse ser fiel ou infiel; havia um campo disputado, e o monoteísmo exclusivo que impérios posteriores herdariam era o programa de uma fação dentro dele, reescrito sobre o registo pelos escribas que o compilaram depois das catástrofes da tabela abaixo. O lado perdedor sobrevive no texto apenas como apostasia.

A mesma cautela vale para as passagens depois citadas como fundamento da antropologia moral ocidental. A leitura que Zevit faz de Génesis 2–3 sustenta que, na sua própria língua e no seu próprio cenário do antigo Próximo Oriente, a história do jardim não é um relato de uma queda, de um pecado original ou de uma maldição lançada sobre as mulheres; que essas são doutrinas nela lidas séculos depois, em larga medida por intérpretes cristãos com um problema seu a resolver.6 A sua argumentação filológica é contestada em pormenores, e esta crónica não precisa que ela esteja certa em tudo. O ponto geral não é contestado: os textos que mais tarde seriam citados para justificar a hierarquia (no capítulo 7, onde a montagem é examinada, e no capítulo 8, onde é posta a trabalhar) adquiriram esses sentidos muito depois de terem sido escritos, e adquiriram-nos porque alguém precisou deles.

DataQuem mandaO que custou
722 a.C.AssíriaO reino do norte, Israel, destruído; deportação das elites como política permanente.
701 a.C.AssíriaSenaqueribe toma Laquis; Judá sobrevive como tributário. O relevo acima é o recibo.
586 a.C.BabilóniaJerusalém e o Templo destruídos; o exílio da elite judaíta.
539 a.C.PérsiaCiro permite o regresso e a reconstrução; política imperial, não benevolência: um Estado-templo leal é mais barato do que uma guarnição.
332 a.C.Alexandre, depois os Ptolemeus e os SelêucidasHelenização, arrendamento de impostos e uma elite urbana de língua grega sobre um campo de língua aramaica.
167–160 a.C.Revolta dos MacabeusA repressão da prática judaíta por Antíoco IV provoca uma insurgência bem-sucedida, a única vitória clara, e a memória que alimentaria as seguintes.
63 a.C.Roma (Pompeu)Anexação. Pompeu entra no Santo dos Santos, segundo se relata por curiosidade.
37–4 a.C.Herodes, rei clienteConstrução monumental financiada por tributação monumental; uma dinastia cliente como instrumento preferido de Roma.
6 d.C.Domínio romano direto na JudeiaO recenseamento de Quirino para lançamento de impostos desencadeia a revolta de Judas o Galileu.
66–73 d.C.A Primeira Guerra Judaico-RomanaJerusalém e o Templo destruídos em 70; escravização em massa; imposição do .
132–135 d.C.A revolta de Bar KokhbaEsmagada. Judeus proibidos de entrar em Jerusalém; a província renomeada Síria Palestina.

Leia-se a coluna da direita como um todo e uma história religiosa torna-se explicável. Uma literatura obcecada com o exílio, com a justiça de Deus contra reis estrangeiros, com uma inversão que virá em que os poderosos são arrancados dos tronos, não é produto de um temperamento nacional peculiar. É o que um povo súbdito escreve.

A mecânica da ocupação romana

O domínio de Roma na Judeia tinha uma pegada pequena e uma mão pesada, e funcionava por quatro instrumentos.

Tributo. O imposto provincial era o objetivo da província. O denário corrente (a moeda usada na troca evangélica sobre pagar imposto a César) trazia o retrato de Tibério e a legenda que o nomeava filho do divino Augusto, isto é, a moeda do imposto era também um objeto do culto imperial.7 Sob os reis clientes e depois sob os prefeitos, a carga combinada do tributo romano, da tributação herodiana e das taxas do Templo caía com mais dureza sobre os pequenos agricultores galileus, e a dívida daí resultante impulsionou a concentração fundiária e o arrendamento, condição de fundo de todas as parábolas sobre dívida, jornaleiros e proprietários ausentes nos evangelhos.8

Elites colaboracionistas. Roma governava através do sumo sacerdócio e da família herodiana. O sumo sacerdote servia ao gosto do prefeito (Roma detinha fisicamente as vestes), o que fazia da hierarquia do Templo simultaneamente o centro da religião nacional e um órgão da ocupação. Esse duplo estatuto é a chave do capítulo 3.

Terror como administração de rotina. A crucificação não era um castigo excecional. Era a pena pública padrão para a sedição e para a insurreição de escravos, escolhida pela visibilidade e pela duração. Após a morte de Herodes em 4 a.C., Varo crucificou dois mil homens numa única operação; no cerco de Jerusalém em 70, Josefo relata até quinhentos por dia, até que, diz ele, os soldados ficaram sem madeira.9 Qualquer leitura da crucificação de Jesus que a trate como anomalia religiosa ou judicial não percebeu o que os romanos estavam a fazer naquela colina.

Ideologia. Roma chamava ao arranjo . As , o relato do próprio Augusto sobre o seu reinado, são uma lista de povos submetidos escrita no vocabulário da pacificação, e Virgílio forneceu a declaração de missão: poupar os vencidos e esmagar os soberbos. Tácito é a exceção que confirma a regra: dá a condenação mais clara do império a um inimigo bárbaro num discurso que ele próprio escreveu, que é como um senador romano podia dizer o indizível e manter a carreira.10

O recibo · Josefo sobre o cerco de Jerusalém

O historiador judeu Josefo (antigo comandante rebelde que desertou e escreveu sob patrocínio flaviano, o que torna o seu relato hostil aos rebeldes e ainda assim tão condenatório) descreve a crucificação sistemática de prisioneiros fora das muralhas, tantos que faltaram espaço e madeira. Regista também a venda de dezenas de milhares de sobreviventes como escravos, e o envio do tesouro do Templo para Roma para o triunfo.

Josefo, A Guerra dos Judeus, V.11 e VI.9
Relevo no Arco de Tito mostrando soldados romanos a carregar a menorá e outros despojos do Templo em triunfo
O Arco de Tito, Roma, c. 81 d.C. A menorá saqueada do Templo de Jerusalém levada por Roma no triunfo. O arco foi pago com o produto da guerra, e o Coliseu foi construído com ele também: uma inscrição reconstituída a partir da sua dedicatória regista que foi financiado ex manubiis, com os despojos.Wikimedia Commons · domínio público

O que um povo súbdito produz

O judaísmo do Segundo Templo não era uma coisa só. As fontes descrevem um campo religioso cheio: saduceus vindos da aristocracia sacerdotal e investidos na ordem existente; fariseus, um movimento leigo que expunha uma tradição oral a par da lei escrita; essénios, provavelmente incluindo a comunidade cuja biblioteca sobreviveu em Qumran, que se tinham retirado de um Templo que consideravam poluído; e, no século I, fações armadas para as quais a colaboração era em si apostasia.11

Dois produtos desse campo importam para o resto desta crónica.

O apocalíptico. O género (Daniel, 1 Henoc e, mais tarde, o Apocalipse) só se lê como fantasia se não se souber o que é. É literatura de resistência escrita em código: os impérios presentes são bestas, a sua queda está agendada, e o juízo de Deus vem inverter a ordem atual. É escrita em símbolo porque escrevê-la às claras dá cabo de quem a escreve.12 Quando os evangelhos põem Jesus a anunciar um reino iminente que não é o de César, estão a falar esta língua, e os funcionários de Roma eram inteiramente capazes de a entender.

Uma religião portátil e textual. A destruição do Templo em 70 removeu permanentemente o centro sacrificial da religião judaíta. O que a substituiu (o judaísmo rabínico, organizado em torno do estudo, da lei e da sinagoga) revelou-se resistente à catástrofe de um modo que um culto de templo não podia ser. É uma das adaptações institucionais mais bem-sucedidas do registo histórico, e aconteceu porque um império destruiu a alternativa.13

Onde este capítulo discute consigo mesmo

Roma foi apenas extração? Não, e a crónica nada ganha em fingir o contrário. Roma construiu aquedutos, estradas, uma tradição jurídica que ainda estrutura o direito continental, e longos períodos de segurança interna relativa sob os quais o comércio e as cidades cresceram. O argumento aqui não é o de que os impérios nada produzem. É o de que aquilo que produzem é pago por pessoas que não consentiram, que as contas nunca são feitas com honestidade, e que os beneficiários escrevem a história. Um aqueduto construído com o trabalho de cativos escravizados numa guerra de escolha não é uma refutação da acusação. É uma peça de prova.

A herança

Três coisas passam deste capítulo para o resto da crónica.

Primeira, o modelo. Roma forneceu aos impérios europeus posteriores a sua autoimagem, o seu vocabulário e o seu mobiliário jurídico: imperium, colonia, a província, o rei cliente, a missão civilizadora, o escravo natural. Quando a Bélgica governou o Ruanda através de uma corte que primeiro esvaziou e depois reconstruiu à sua medida, estava a executar uma técnica com nome romano.

Segunda, a literatura. O Novo Testamento foi escrito dentro desta ocupação e nas décadas imediatamente posteriores à sua fase mais catastrófica. Todas as suas afirmações políticas (sobre reinos, sobre tributo, sobre quem é exaltado e quem é rebaixado) foram escritas por e para pessoas que viviam sob a bota acima descrita.

Terceira, a ironia que organiza os capítulos 3 a 7. Em trezentos anos, o movimento fundado por um homem que este império executou como rebelde seria a religião oficial desse mesmo império, a emitir éditos, a convocar concílios sob autoridade imperial e, com o tempo, a abençoar os navios.

Notas

  1. Keith Hopkins, «Taxes and Trade in the Roman Empire (200 B.C.–A.D. 400)», Journal of Roman Studies 70 (1980), pp. 101–125, continua a ser a análise padrão da máquina fiscal. Sobre a economia de pilhagem da república tardia, William V. Harris, War and Imperialism in Republican Rome, 327–70 B.C. (Oxford, 1979). ↩
  2. Aristóteles, Política I.4–7. A sua posteridade nos debates da conquista é o tema de Lewis Hanke, Aristotle and the American Indians (Chicago, 1959); ver o capítulo 9. ↩
  3. Plínio-o-Velho, História Natural XXXIII.70–78, sobre a ruina montium em Las Médulas. Para o registo de poluição, Sungmin Hong et al., «Greenland Ice Evidence of Hemispheric Lead Pollution Two Millennia Ago by Greek and Roman Civilizations», Science 265 (1994), pp. 1841–1843, e a reanálise de maior resolução de Joseph R. McConnell et al., PNAS 115:22 (2018), pp. 5726–5731. ↩
  4. Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman, The Bible Unearthed (Nova Iorque: Free Press, 2001). Para um panorama de posições e não de um só campo, ver William G. Dever, Beyond the Texts (Atlanta: SBL Press, 2017). ↩
  5. Ziony Zevit, The Religions of Ancient Israel: A Synthesis of Parallactic Approaches (Londres: Continuum, 2001), esp. partes II–III sobre os locais de culto e o corpus epigráfico. O plural no título de Zevit é o argumento. Para as próprias inscrições, ver também Shmuel Aḥituv, Echoes from the Past: Hebrew and Cognate Inscriptions from the Biblical Period (Jerusalém: Carta, 2008), e, para o caso mais amplo, Mark S. Smith, The Early History of God, 2.ª ed. (Grand Rapids: Eerdmans, 2002). ↩
  6. Ziony Zevit, What Really Happened in the Garden of Eden? (New Haven: Yale University Press, 2013). Para uma ideia do desacordo que provocou entre hebraístas, ver a discussão de recensões em Review of Biblical Literature (2014). ↩
  7. Marcos 12,13–17 e paralelos. Sobre a moeda e o culto, ver Fergus Millar, The Emperor in the Roman World (Londres: Duckworth, 1977), sobre a ubiquidade da imagem e da titulatura imperiais. ↩
  8. Richard A. Horsley, Jesus and Empire: The Kingdom of God and the New World Disorder (Mineápolis: Fortress, 2003), caps. 1–2; e Sean Freyne, Galilee, Jesus and the Gospels (Filadélfia: Fortress, 1988), sobre a economia agrária galileia. ↩
  9. Josefo, Antiguidades Judaicas XVII.295 (Varo); A Guerra dos Judeus V.449–451 (as crucificações diárias). Martin Hengel, Crucifixion in the Ancient World and the Folly of the Message of the Cross (Londres: SCM, 1977), é o estudo padrão da pena e do seu sentido social. ↩
  10. Tácito, Agrícola 30; Virgílio, Eneida VI.851–853; Augusto, Res Gestae Divi Augusti. ↩
  11. Josefo, A Guerra dos Judeus II.119–166, é a descrição primária dos partidos e deve ser lida como partidária. Para um panorama moderno, E. P. Sanders, Judaism: Practice and Belief, 63 BCE–66 CE (Londres: SCM, 1992). ↩
  12. John J. Collins, The Apocalyptic Imagination, 3.ª ed. (Grand Rapids: Eerdmans, 2016); sobre o Apocalipse como escrita anti-imperial, Adela Yarbro Collins, Crisis and Catharsis: The Power of the Apocalypse (Filadélfia: Westminster, 1984). ↩
  13. Shaye J. D. Cohen, From the Maccabees to the Mishnah, 3.ª ed. (Louisville: Westminster John Knox, 2014). ↩
Dramatis personae

Quem esteve envolvido

  1. Fações

    Rome

    the Republic, then the Empire

    c. 509 BCE – 476 CE in the west The extraction machine

    The centre that consumes what it captures

    Conquest pays for itself only during conquest. When the frontier stopped moving under Augustus’s successors, the plunder economy had to be replaced by systematic taxation of the already-conquered, a much harder political problem, and one Rome never solved. It called the arrangement pax, and supplied every later European empire with its vocabulary: imperium, colonia, provincia, the client king, the civilising mission.

    Hopkins, "Taxes and Trade in the Roman Empire" (1980)

  2. Fações

    The Neo-Assyrian Empire

    c. 911 – 609 BCE The first of the administrators

    Deterrence as a product

    Assyria made elite deportation a standing policy and then advertised it. The palace relief carved for Sennacherib at Nineveh shows the siege of Lachish in procedural detail: the ramps, the archers, the columns of deportees walking out. Empires document their own atrocities because the documentation is part of the deterrent: the monument is the tribute list.

    Lachish reliefs, British Museum

  3. Figuras

    Augustus

    Gaius Octavius, then Imperator Caesar Divi Filius

    63 BCE – 14 CE First Roman emperor

    Peace, as the word for the thing after the war

    The Res Gestae is Augustus’s own account of his reign, and it is a list of peoples subjected written entirely in the vocabulary of peace-bringing. Virgil supplied the mission statement: spare the conquered, crush the proud. His portrait and his titulature went onto the coinage, which is why the tax coin in the Gospel exchange about tribute was also an object of imperial cult.

    Res Gestae Divi Augusti · Virgil, Aeneid VI.851–853

  4. Figuras

    Herod the Great

    c. 73 – 4 BCE Client king of Judaea, 37–4 BCE

    Rome’s preferred instrument

    The client king is the cheapest form of occupation: a local ruler with a local claim, who collects the tribute and absorbs the resentment. Herod rebuilt the Temple on a scale that still astonishes and paid for it out of the countryside. When he died in 4 BCE the province rose, and Varus crucified two thousand men to settle it.

    Josephus, Jewish Antiquities XVII

  5. Fações

    The parties of Second Temple Judaism

    Sadducees · Pharisees · Essenes · the armed factions

    c. 150 BCE – 70 CE A crowded religious field, not a single orthodoxy

    Divided over what collaboration costs

    Sadducees drawn from the priestly aristocracy and invested in the existing order; Pharisees, a lay movement with an oral tradition alongside the written law; Essenes withdrawn from a Temple they considered polluted, probably including the community whose library survived at Qumran; and, by the first century, factions for whom collaboration was itself apostasy. The one description we have is Josephus’s, and he was writing for Romans.

    Josephus, The Jewish War II.119–166 · Sanders, Judaism: Practice and Belief (1992)

  6. Figuras

    Flavius Josephus

    Yosef ben Matityahu

    c. 37 – c. 100 CE Rebel commander, then imperial client historian

    Both sides, in that order

    He commanded rebel forces in Galilee, surrendered, prophesied that his captor would become emperor, and wrote the history of the war under that emperor’s patronage. Everything he says about the rebels is hostile, which is what makes his account of the siege so damning: crucifixions outside the walls until, he says, the soldiers ran out of wood, and tens of thousands sold into slavery afterwards.

    Josephus, The Jewish War V.449–451

  7. Figuras

    Tacitus

    c. 56 – c. 120 CE Roman senator and historian

    The empire’s sharpest critic, from inside it

    The clearest condemnation of Roman imperialism in Latin literature — they make a desolation and call it peace — is spoken by a Caledonian chieftain in a speech Tacitus wrote himself. That is how a senator says the unsayable and keeps his career. He also records, without sympathy, that the founder of the Christian sect was executed under Tiberius by the procurator Pontius Pilate.

    Tacitus, Agricola 30 · Tacitus, Annals XV.44

rwandafacts Uma crónica académica, com fontes.
O conteúdo é anotado; correções são bem-vindas.