A escola de Humboldt
A escolarização de massas padronizou uma língua, uma narrativa e uma população mobilizável.
Quando aconteceu
- 1717 Prussia orders compulsory schooling Long before Humboldt. Enforcement patchy, schools mostly church-run and poor.
- 1763 The Generallandschulreglement Attendance required from five to thirteen or fourteen.
- 1808 Fichte states the purpose out loud A new national education applied to all children, removing them where necessary from the influence of their parents.
- 1809–10 Humboldt’s sixteen months A three-stage structure, the Abitur as a state examination, and state certification of teachers, teaching becomes a profession.
- 1810 The University of Berlin Solitude and freedom; teaching and research united; the state paying but not directing.
- 1843 Horace Mann reports to Massachusetts Frankly admiring. The American common school movement builds on the model.
- 1866 Königgrätz Prussia beats Austria, and Europe concludes that schools win wars.
- 1872 Japan’s Gakusei A national system built in a generation, to produce citizens for a modern state and army.
- 1881–82 The Ferry laws Free, compulsory and secular, and the connection to revanche was not hidden. Battalions of schoolchildren were drilled.
- 1890 The Imperial Rescript on Education Read aloud in Japanese schools before the emperor’s portrait.
- 1914 Every industrial state can now do this Literate, numerate, nationally identified young men, registrable, callable, able to read a map and a manual. Then they were.
Os termos assinalados têm uma definição curta: passe o cursor ou toque no ecrã tátil.
«Não foi o mestre-escola prussiano que ganhou a batalha de Königgrätz, mas o professor prussiano de geografia.»
— a observação original de 1866, muitas vezes citada em versão abreviada. De qualquer modo, a ideia era que as escolas ganham guerras.Pergunte de onde veio a escola moderna e a resposta honesta é incómoda: de um Estado derrotado a tentar reconstruir um exército.
A sala de aula que hoje quase todo o mundo dá por adquirida (crianças ordenadas por ano de nascimento, sentadas em filas, movidas por uma campainha, ensinadas segundo um currículo padronizado numa língua padronizada por um professor certificado pelo Estado, examinadas contra um padrão nacional e providas de um certificado que o Estado reconhece) é um desenho prussiano do início do século XIX, refinado ao longo desse século e exportado para quase todos os países da terra. O seu nome mais famoso é Wilhelm von Humboldt, e este capítulo sustenta ao mesmo tempo que o sistema merece a fama de realização extraordinária e que foi construído para fazer o que o capítulo 12 disse que os Estados precisavam: fabricar uma nação a partir de uma população.
O que Humboldt fez realmente, e o que não fez
Primeiro o rigor, porque a história é habitualmente mal contada nas duas direções.
A Prússia tinha escolaridade obrigatória muito antes de Humboldt. Frederico Guilherme I ordenou-a em 1717; o de 1763, sob Frederico, o Grande, exigia a frequência dos cinco aos treze ou catorze anos. O cumprimento era irregular e as escolas eram sobretudo eclesiásticas e pobres. Portanto a ideia não começou em 1809.
O mandato do próprio Humboldt foi curto. Dirigiu a secção prussiana de cultura e instrução pública durante cerca de dezasseis meses, em 1809–10, e depois demitiu-se, frustrado. Nesse tempo pôs em marcha uma transformação genuína: uma estrutura coerente em três etapas, da escola elementar ao e à universidade; o como exame estatal a controlar o acesso universitário; o exame e a certificação estatais dos professores, que fizeram do ensino uma profissão com formação própria e não uma ocupação secundária de clérigos subempregados; e a fundação da Universidade de Berlim em 1810.1
Esses dezasseis meses merecem um olhar de perto, porque contêm em miniatura todo o argumento deste capítulo. Nos dois planos escolares que redigiu em 1809, para Königsberg e para a Lituânia, Humboldt firmou o princípio de que devia haver uma escola para todos antes de haver escolas para alguém em particular: primeiro a formação humana geral, depois e noutro lugar a formação profissional, com o argumento de que a quem aprendeu a pensar se pode ensinar qualquer ofício, ao passo que quem foi adestrado apenas para um ofício foi transformado em instrumento. Até a criança mais pobre, insistiam os planos, devia aprender a aprender. Enviou jovens professores prussianos a Yverdon, na Suíça, para estudar com Pestalozzi, cujo método tratava a criança como uma mente a desenvolver e não como um recipiente a encher, e começou a converter a formação de professores de uma aprendizagem de catecismo numa profissão examinada pelo Estado com os seus próprios seminários. Depois demitiu-se, por não ter conseguido convencer o rei a fazer da secção da educação um ministério independente, e o sistema passou para mãos com ideias mais estreitas.2
Aquilo em que se tornou nessas mãos é a parte mensurável. O Gymnasium conservou uma porção real do ideal da , para os poucos que lá chegavam. A recebeu a outra herança: obediência, religião, memorização, adestramento. E quando o Estado viu brevemente a sua própria criação de fora, estremeceu. Os mestres-escolas tinham sido bem visíveis na revolução de 1848, e a resposta prussiana foram os regulamentos Stiehl de 1854, que reduziram os seminários de magistério a Bíblia, catecismo, aritmética e método mecânico. Um Estado que acreditasse que a sua escola apenas ensinava coisas às crianças não se teria dado ao trabalho. Este percebia exatamente o que era a instituição, porque a construíra.
O seu ideal era liberal, e não é o que foi exportado. O conceito orientador de Humboldt era a Bildung (a autoformação de um ser humano completo, não a formação profissional nem a doutrinação), e a sua universidade devia assentar em Einsamkeit und Freiheit, solidão e liberdade, com ensino e investigação unidos e o Estado a pagar mas não a dirigir. O seu ensaio de 1792 sobre os limites da ação do Estado é um dos mais fortes argumentos alguma vez escritos a favor da restrição da ingerência governamental no desenvolvimento individual; John Stuart Mill tirou dele a epígrafe de Sobre a Liberdade. Humboldt era, na sua própria teoria, profundamente desconfiado da educação nacional.3
É essa a tensão no centro deste capítulo. A mais humana teoria educativa da Europa moderna foi aplicada dentro de um aparelho de Estado que se reconstruía para a guerra, e o que o resto do mundo copiou foi o aparelho.
A outra metade do programa
Os Discursos à Nação Alemã de Fichte, proferidos no Berlim ocupado no ano anterior à tomada de posse de Humboldt, já tinham enunciado em voz alta o propósito político. A Prússia perdera, argumentava Fichte, porque tinha súbditos em vez de alemães; o remédio era uma nova educação nacional aplicada a todas as crianças, retirando-as onde fosse preciso à influência dos pais, para formar uma vontade incorruptível.4
Não é preciso afirmar que Humboldt concordava com Fichte para notar que o programa de Fichte é o que um Estado sob ocupação financiava, e que os reformadores em torno de Stein e Scharnhorst construíam o exército e a escola na mesma sala, nos mesmos anos, por razões que ligavam explicitamente. O serviço universal e a escolarização universal eram duas faces de um mesmo recrutamento: a lei de conscrição convocaria o corpo, e a escola teria preparado a mente que vinha com ele.
O que a instituição faz realmente
Separemos a função declarada da escola das suas funções estruturais. A função declarada é ensinar coisas às crianças. As funções estruturais são estas, e cada uma delas é o que um Estado em mobilização precisa.
1. Padroniza a língua. Um exército de recrutas precisa de ordens escritas que todos possam ler, e uma nação precisa de um meio em que a sua história possa circular. Isso significou suprimir o que as pessoas falavam de facto. O estudo de Eugen Weber sobre a França concluiu que ainda na década de 1860 um quarto da população não falava francês de todo, e boa parte do resto falava-o como segunda língua; crianças bretãs, occitanas, bascas, alsacianas e corsas eram castigadas por usarem a língua materna, nalgumas escolas passando-se uma ficha de infrator em infrator e batendo no último portador ao fim do dia. A Grã-Bretanha fez a mesma experiência no País de Gales: o Welsh Not, uma ficha de madeira pendurada ao pescoço da criança apanhada a falar galês e passada adiante até o último portador do dia ser castigado, e por trás dele o célebre relatório educativo de 1847, lembrado em galês como a Traição dos Livros Azuis, que culpava a própria língua pela pobreza galesa. A técnica é exatamente a descrita nas escolas coloniais das missões no capítulo 10. É a mesma tecnologia; foi simplesmente aplicada primeiro em casa.5
2. Padroniza a narrativa. Um currículo nacional de história e geografia ensina a uma população quem somos «nós», onde deviam estar as nossas fronteiras e quem nos tirou o quê. Le Tour de la France par deux enfants (1877), dois rapazes a atravessar uma França que acabara de perder a Alsácia-Lorena, vendeu milhões de exemplares como livro de leitura escolar. As histórias escolares alemãs ensinavam um destino nacional; as britânicas, um império onde o sol não se punha. Esta é a comunidade imaginada de Anderson, produzida com horário.
3. Padroniza o tempo e o corpo. Horas fixas, a campainha, as filas, o silêncio, a permissão para falar, a permissão para sair da sala, a nota de pontualidade, o adestramento e a ginástica. Foucault colocou a escola na mesma família do quartel, da oficina e da prisão (instituições que produzem corpos dóceis e úteis pelas mesmas técnicas de enclausuramento, hierarquização e horário), e a semelhança não é metáfora; as práticas foram conscientemente tomadas de empréstimo.6
4. Classifica. A estrutura prussiana de três vias mandava a maioria das crianças para a Volksschule e daí para o trabalho, uma minoria para a e uma pequena elite pelo Gymnasium até à universidade. A triagem chegava cedo, era administrada em forma de exame e era vivida pelos triados como veredicto sobre si próprios e não sobre as suas circunstâncias; a triagem acompanhava de perto a classe social e era legitimada como mérito. Todos os sistemas que copiaram a estrutura copiaram a triagem, e o capítulo 21 audita o piso executivo dessa maquinaria. Aqui basta notar que a escola não se limitava a refletir a hierarquia social: renovava-a todos os anos e passava-lhe um certificado.
5. Certifica. O Estado, e não a corporação, a igreja ou a família, decide agora quem está qualificado. É uma enorme transferência de autoridade, e é o mecanismo pelo qual uma potência colonial decidiria depois que ruandeses podiam ocupar cargos: capítulo 24.
6. Torna a população legível. É este o termo de James C. Scott para aquilo de que um Estado modernizador precisa antes de poder fazer qualquer outra coisa: nomes, idades, moradas e medidas padronizados, uma população que possa ser lida a partir da capital. O registo escolar é um censo que se atualiza sozinho todos os anos; o ano letivo fixa a idade e o lugar de cada criança; o processo de exames segue o cidadão a vida inteira. Um Estado que consegue escolarizar uma população consegue encontrá-la, e um Estado que consegue encontrar uma população consegue tributá-la e recrutá-la. O capítulo 12 descreveu a procura. A escola foi o instrumento que a satisfez.7
A confissão e os teóricos
A mais clara declaração do que o currículo estava a fazer veio de dentro do projeto. Em 1882, na Sorbonne, Ernest Renan proferiu a conferência que continua a ser a definição padrão de nação, e é lembrada como generosa: uma nação não é uma raça, uma língua ou uma religião, mas um plebiscito de todos os dias, uma vontade de continuar uma vida comum. O que se cita menos é a condição prévia que Renan nomeia: o esquecimento, e até o erro histórico, são essenciais à criação de uma nação, razão pela qual, acrescenta, o progresso dos estudos históricos é um perigo para a nacionalidade. Todo o cidadão francês, observa, já teve de esquecer os massacres do Sul no século XIII e os da noite de São Bartolomeu. Estava a descrever o programa. A escola não se limita a ensinar uma narrativa nacional; administra o esquecimento que essa narrativa exige, com calendário, a toda a gente, verificado por exame.8
Um século depois, a investigação alcançou a confissão. Ernest Gellner sustentou que o nacionalismo não é o despertar de nações antigas mas uma exigência da sociedade industrial: uma economia de trabalhadores móveis, alfabetizados e intercambiáveis só pode ser produzida por um sistema educativo padronizado, um sistema dessa escala só pode ser gerido por um Estado, e por isso o mundo industrial se organiza em unidades de uma cultura, um sistema escolar e um Estado, com o nacionalismo como a exigência de que a unidade política coincida com a educativa. Benedict Anderson forneceu a outra metade: a nação é uma comunidade imaginada, imaginada numa língua impressa entre milhões que nunca se encontrarão mas que leem os mesmos jornais e os mesmos atlas escolares; as suas edições posteriores acrescentaram a trindade colonial do censo, do mapa e do museu, os instrumentos com que um Estado ensina primeiro a si próprio, e depois aos seus súbditos, o que existe oficialmente. Nenhuma das teorias é lisonjeira, e nenhuma foi refutada. Entre as duas comprimem este capítulo numa frase: a nação não construiu a escola; a escola construiu a nação.9
A exportação
O sistema espalhou-se porque funcionava e porque toda a gente via para que servia.
A peregrinação à Prússia tornou-se um género próprio. Victor Cousin inspecionou as escolas prussianas para o governo francês e publicou o relatório em 1831; traduzido para inglês por Sarah Austin em 1834, foi lido com tanta avidez na Grã-Bretanha e na América como em França, e o seu refrão (uma monarquia pobre e derrotada construíra as melhores escolas do mundo, logo os povos livres não tinham desculpa) fixou os termos da reforma durante meio século.10
- Estados Unidos. Horace Mann percorreu escolas prussianas e saxãs em 1843 e relatou a viagem no seu Sétimo Relatório Anual ao Conselho de Educação de Massachusetts em termos francamente admirativos; o movimento da escola comum construiu-se sobre esse modelo, com escolas normais de estilo prussiano para formar professores, a primeira das quais Massachusetts abrira em 1839. Os educadores americanos foram explícitos ao dizer que a escola assimilaria os imigrantes numa cidadania única.
- França. A derrota perante a Prússia em 1870 foi largamente atribuída à escolarização alemã; a epígrafe deste capítulo foi repetida em francês como acusação. As leis Ferry de 1881–82 tornaram o ensino primário gratuito, obrigatório e laico, e a ligação à não era escondida: batalhões de escolares faziam exercícios, e o currículo ensinava as províncias perdidas.
- Japão. O Meiji de 1872 ergueu um sistema nacional numa geração, com o objetivo explícito de produzir cidadãos para um Estado e um exército modernos; o Rescrito Imperial sobre Educação de 1890 era lido em voz alta nas escolas diante do retrato do imperador.
- As colónias. A mesma estrutura chegou com as missões, sem a via de promoção. O capítulo 10 descreveu o que lá fez, e quando esta crónica chegar ao Ruanda a exportação estará à espera: o Groupe Scolaire d'Astrida, fundado em 1929 para formar os escriturários, auxiliares médicos e chefes do mandato belga, ensinava a doutrina racial camita dos capítulos 23 e 24 como currículo corrente, com a admissão inclinada para os filhos dos chefes tutsi. A máquina que fabricava franceses a partir de bretões foi posta a fabricar raças a partir de ruandeses.11
Por volta de 1914 todos os Estados industriais tinham um sistema escolar capaz de produzir jovens alfabetizados, com noções de cálculo e identificados nacionalmente, que podiam ser registados, chamados às fileiras, ensinados a ler um mapa e um manual e inseridos num exército de massas. E então foram.
A versão forte deste argumento (a de que a escolarização é meramente uma máquina de produzir soldados e trabalhadores) é falsa, e esta crónica não fingirá o contrário.
A alfabetização em massa é uma das maiores realizações da história humana. Tornou possível o movimento operário, porque uma classe trabalhadora alfabetizada podia ler um panfleto, organizar um sindicato e fazer um jornal. Tornou possível a educação das mulheres e depois os seus movimentos políticos. Deu aos líderes anticoloniais as ferramentas que usaram contra os impérios que os formaram. Os seminários que a Prússia cortou em 1854 tiveram de ser cortados precisamente porque os mestres-escolas continuavam a aparecer nas barricadas: os próprios Estados nunca confiaram que o instrumento apontasse sempre na mesma direção. O trabalho de Amartya Sen mostra que a educação básica é a mais forte alavanca isolada sobre a mortalidade infantil, a fecundidade e a autonomia das mulheres. Um mundo sem escolarização em massa seria mais pobre, mais doente e mais fácil de governar, não mais livre.
O que aqui se afirma é sobre origens e desenho, não sobre valor: esta instituição foi construída por Estados, para fins estatais, num momento específico, com a mobilização à vista, e conserva a forma desse propósito. Reconhecê-lo é o primeiro passo para perguntar que outra coisa poderia ser. A resposta do próprio Humboldt, a Bildung, continua a ser a melhor disponível, e continua a não ser o que a maioria das escolas faz.
Em frente
No final do século XIX, a Europa reunira todos os componentes de uma catástrofe: Estados capazes de requisitar populações inteiras (capítulo 12); populações ensinadas a identificar-se com esses Estados (este capítulo); economias industriais capazes de produzir armas mais depressa do que se conseguia matar homens; e, tema do capítulo 14, uma doutrina de aparência científica que classificava os seres humanos por raça e ensinava que a história é uma luta em que os aptos deslocam os inaptos.
Essa doutrina fora desenvolvida, testada e comprovada nas colónias. Estava prestes a voltar a casa.
Notas
- James C. Albisetti, Secondary School Reform in Imperial Germany (Princeton: Princeton University Press, 1983); Charles E. McClelland, State, Society and University in Germany, 1700–1914 (Cambridge: Cambridge University Press, 1980); Christopher Clark, Iron Kingdom: The Rise and Downfall of Prussia, 1600–1947 (Londres: Allen Lane, 2006), sobre a era das reformas. ↩
- Os planos escolares de Humboldt para Königsberg e para a Lituânia, de 1809, estão impressos nas suas obras completas; sobre os seminários de magistério, a sua política e o seu disciplinamento, Anthony J. La Vopa, Prussian Schoolteachers: Profession and Office, 1763–1848 (Chapel Hill: University of North Carolina Press, 1980). ↩
- Wilhelm von Humboldt, Ideen zu einem Versuch, die Grenzen der Wirksamkeit des Staats zu bestimmen (escrito em 1792, publicado em 1851); em inglês, The Limits of State Action, ed. J. W. Burrow (Cambridge, 1969). Dele tirou Mill a epígrafe de Sobre a Liberdade (1859). ↩
- Fichte, Reden an die deutsche Nation (1808), discursos 2–3 e 9–11. ↩
- Eugen Weber, Peasants into Frenchmen: The Modernization of Rural France, 1870–1914 (Stanford: Stanford University Press, 1976), esp. caps. 6 e 18. A cronologia de Weber foi contestada: ver o ensaio-recensão de Ted W. Margadant e trabalhos posteriores que sustentam que a identidade nacional francesa se difundiu mais cedo e de forma menos vertical, mas os mecanismos que documenta não estão em causa. Para o País de Gales, os Reports of the Commissioners of Inquiry into the State of Education in Wales (Londres, 1847), os «Livros Azuis». ↩
- Michel Foucault, Surveiller et punir (Paris: Gallimard, 1975); em português, Vigiar e Punir, terceira parte. ↩
- James C. Scott, Seeing Like a State: How Certain Schemes to Improve the Human Condition Have Failed (New Haven: Yale University Press, 1998), primeira parte, sobre a legibilidade. ↩
- Ernest Renan, «Qu'est-ce qu'une nation?», conferência na Sorbonne, 11 de março de 1882; em inglês como «What is a nation?», trad. de Martin Thom, em Homi K. Bhabha (ed.), Nation and Narration (Londres: Routledge, 1990). ↩
- Ernest Gellner, Nations and Nationalism (Oxford: Blackwell, 1983); Benedict Anderson, Imagined Communities: Reflections on the Origin and Spread of Nationalism (Londres: Verso, 1983; ed. revista de 1991, que acrescenta o capítulo «Census, Map, Museum»). ↩
- Relatório de Victor Cousin sobre a instrução pública prussiana (1831), traduzido por Sarah Austin como Report on the State of Public Instruction in Prussia (Londres, 1834); Horace Mann, Seventh Annual Report of the Secretary of the Board of Education (Boston, 1843). ↩
- Ian Linden, Church and Revolution in Rwanda (Manchester: Manchester University Press, 1977); Mahmood Mamdani, When Victims Become Killers: Colonialism, Nativism, and the Genocide in Rwanda (Princeton: Princeton University Press, 2001), sobre o Groupe Scolaire d'Astrida e o ensino da hipótese camita. ↩
Quem esteve envolvido
- Figuras
Wilhelm von Humboldt
Bildung
His guiding idea was the self-formation of a whole human being (not vocational training and not indoctrination), and his 1792 essay on the limits of state action is one of the strongest arguments ever written for restricting government interference in individual development; Mill took the epigraph of On Liberty from it. He was, in his own theory, deeply suspicious of national education. The system that carries his name kept the apparatus and exported that.
Humboldt, The Limits of State Action (written 1792)
- Figuras
Johann Gottlieb Fichte
An Urvolk, to be produced by schooling
He delivered the Addresses to the German Nation in Berlin in the winter of 1807–08, under French occupation, to a nation that did not politically exist. He located its reality in language, and proposed a completely new national education applied to every child (removing them where necessary from the influence of their parents) to produce Germans where there had been Saxons, Bavarians and Prussians. The proposal to build it by schooling is the admission that it was not there.
Fichte, Reden an die deutsche Nation (1808)
- Figuras
Horace Mann
The common school
He toured Prussian schools and reported back in 1843 in frankly admiring terms, and the American common school movement built on the model. American educators were explicit about the purpose: the school would assimilate immigrants into a single citizenry. The mechanism was never hidden; it was the selling point.
- Figuras
Jules Ferry
Free, compulsory, secular — and revanchist
Defeat by Prussia in 1870 was widely blamed on German schooling, and the Ferry laws of 1881–82 were the answer. The connection to revanche was not concealed: schoolchildren were drilled in battalions and the curriculum taught the lost provinces. The same Ferry was the most forceful parliamentary advocate of French colonial expansion, on the ground that superior races have a duty to civilise the inferior.
- Fações
The Meiji state
A national system in one generation
The Gakusei of 1872 built a national school system from almost nothing in a generation, with the explicit aim of producing citizens for a modern state and army. The Imperial Rescript on Education of 1890 was read aloud in schools before the emperor’s portrait. Japan is the clearest demonstration that the Prussian design was a technology rather than a culture: it could be lifted whole and it worked.
- Figuras
Eugen Weber
Peasants into Frenchmen
He found that as late as the 1860s a quarter of France did not speak French at all, and much of the rest spoke it as a second language. Breton, Occitan, Basque, Alsatian and Corsican children were punished for their mother tongue, in some schools by a token passed from offender to offender, with the last holder beaten at day’s end. That is precisely the technique of the colonial mission school. It was applied at home first.
Weber, Peasants into Frenchmen (1976)
- Figuras
Michel Foucault
The school, the barracks, the workshop, the prison
He put the classroom in the same family as the barracks and the prison, institutions producing docile, useful bodies through enclosure, ranking and the timetable. The resemblance is not a metaphor and not an accusation: the practices were consciously borrowed from one another, in the same decades, by administrators who moved between them.
Foucault, Discipline and Punish (1975)