Quem escolheu Hitler
Em novembro de 1932, o partido nazi perdia votos e estava sem dinheiro. Entregaram-lhe o poder mesmo assim.
Quando aconteceu
- November 1932 The Nazi party loses two million votes 33.1 per cent, down 34 seats, and the communist vote still climbing, to 100 seats.
- November 1932 The petition to Hindenburg Businessmen, bankers and landowners assembled by Schacht and Keppler ask him to appoint Hitler. Around twenty signatures.
- 8 December 1932 Strasser resigns The most dangerous internal moment in the party’s history. Goebbels records Hitler talking about a pistol.
- 4 January 1933 The meeting at Cologne Papen, dismissed and determined to get at his successor, proposes a joint government. Schröder gave an account of it under oath at Nuremberg.
- 30 January 1933 Hitler appointed Chancellor Never elected. Three of eleven cabinet members are Nazis. Papen tells his allies they have him boxed in.
- 20 February 1933 Three million Reichsmarks pledged Schacht and Göring assemble two dozen industrialists. Hitler tells them this may be the last election for a hundred years.
- 27–28 February 1933 The Reichstag fire decree Civil liberties suspended. Some 10,000 communists arrested in Prussia within weeks.
- 22 March 1933 Dachau opens Announced as a camp for communists. The first inmates are communists, social democrats and trade unionists.
- 2 May 1933 Every trade union office in Germany occupied Funds seized, leadership arrested, collective bargaining abolished. That was the deliverable.
- 1934 The Law for the Ordering of National Labour The leadership principle inside the enterprise: the employer is the Betriebsführer, the workforce his followers.
- 1947–48 The IG Farben trial Thirteen of twenty-four convicted, eighteen months to eight years. All released by 1951.
- from 1945 Operation Paperclip Around 1,600 German specialists taken to the United States, records sanitised where necessary. Von Braun’s V-2 had been built by slave labour at Mittelbau-Dora.
- 1951 Krupp released, property restored The same year a new law returns dismissed officials (including large numbers of former party members) to public service.
Os termos assinalados têm uma definição curta: passe o cursor ou toque no ecrã tátil.
«Em dois meses teremos empurrado Hitler tanto para o canto que ele vai guinchar.»
— Franz von Papen, segundo se relata que disse a um conservador céptico em janeiro de 1933A versão desta história que quase toda a gente carrega é uma espécie de boletim meteorológico. A Alemanha ficou arruinada por Versalhes, depois arruinada de novo pela Depressão, havia seis milhões de desempregados, a população desesperou, e desse desespero surgiram inevitavelmente os nazis. Ninguém o escolheu; simplesmente aconteceu.
Olhe para os meses reais e esse relato desmorona-se. Em novembro de 1932 o partido nazi perdeu dois milhões de votos e 34 lugares. Estava na prática falido. A sua organização fraturava-se; o seu segundo homem mais poderoso demitiu-se; e o seu líder, segundo o diário do homem que lhe estava mais próximo, falava em dar um tiro em si próprio. Dez semanas depois era chanceler da Alemanha.
Nada mudou na economia nessas dez semanas. O que mudou é que um pequeno número de homens identificáveis tomou uma decisão, e a razão para a tomarem foi que o preferiam à alternativa à esquerda.
Novembro de 1932: o partido em apuros
Os números não estão em causa.
| Eleição para o Reichstag | NSDAP | KPD (comunistas) |
|---|---|---|
| Setembro de 1930 | 18,3 % · 107 lugares | 13,1 % · 77 lugares |
| Julho de 1932 | 37,3 % · 230 lugares | 14,6 % · 89 lugares |
| Novembro de 1932 | 33,1 % · 196 lugares | 16,9 % · 100 lugares |
O voto nazi tinha atingido o pico e descia. O voto comunista continuava a subir. Na greve dos transportes de Berlim de novembro de 1932, ativistas nazis e comunistas encontraram-se no mesmo piquete, sinal de quão volátil era o voto operário e de quão alarmante isso era para quem tivesse propriedade.
O partido estava sem dinheiro. Quatro campanhas nacionais num ano (duas voltas presidenciais e duas eleições para o Reichstag) tinham-no esgotado. O diário de Goebbels no final de 1932 é um relato contínuo de tipógrafos por pagar, homens das SA por pagar e credores. As entradas são diretas quanto ao desespero da situação.
Também se estava a cindir. A 8 de dezembro de 1932 Gregor Strasser (o principal organizador do partido e líder da sua ala mais anticapitalista) demitiu-se depois de Hitler lhe ter recusado a possibilidade de assumir uma vice-chancelaria sob Schleicher. Foi o momento interno mais perigoso da história do partido. É nas entradas em torno desta crise que Goebbels regista Hitler a dizer que, se o partido se desfizesse, ele o acabaria com uma pistola em três minutos.1
É este o estado do movimento nazi sete semanas antes de tomar o poder: a perder votos, sem dinheiro, a cindir-se, com o líder a falar em suicídio.
A decisão
Hitler nunca foi eleito chanceler. Foi nomeado, pelo presidente Hindenburg, de 85 anos, por conselho de um círculo à sua volta. A constituição de Weimar funcionava desde 1930 por decretos presidenciais de emergência; o Reichstag já deixara de governar. A questão de quem governava a Alemanha estava, portanto, nas mãos de talvez uma dúzia de pessoas.
4 de janeiro de 1933: a reunião de Colónia. Hitler e Franz von Papen encontraram-se em casa do banqueiro Kurt von Schröder, com Himmler, Hess e Keppler presentes. Papen (demitido pouco antes do cargo de chanceler e decidido a vingar-se do seu sucessor Schleicher) propôs um governo conjunto. Schröder relatou esta reunião sob juramento em Nuremberga.2
A petição. Em novembro de 1932, um grupo de empresários, banqueiros e latifundiários reunido por Hjalmar Schacht e Wilhelm Keppler pediu a Hindenburg que nomeasse Hitler chefe de um governo de concentração nacional. Foram obtidas cerca de vinte assinaturas.
A pressão agrária. Os latifundiários junker do leste (a própria classe de Hindenburg e beneficiários do programa de subsídios , então sob escrutínio parlamentar) pressionaram fortemente contra Schleicher, que aventara uma redistribuição de terras para colonização. Hindenburg era ele próprio um proprietário do Elba oriental.
30 de janeiro de 1933. Hitler foi nomeado chanceler de um gabinete em que apenas três de onze membros eram nazis. Papen assumiu a vice-chancelaria e o direito de estar presente sempre que Hitler visse o presidente, e disse aos aliados que o arranjo tinha Hitler encaixotado. Hugenberg, o magnata dos media e líder do DNVP, ficou com a economia e a agricultura e acreditava no mesmo.
Tinham contratado, pensavam, um demagogo com desconto, com uma base de massas que podiam usar e um partido demasiado falido para ser independente. Em seis meses todos eles tinham sido afastados, e em junho de 1934 estavam a fuzilar o próprio pessoal de Papen.
A afirmação «o grande capital pôs Hitler no poder» é demasiado grosseira, e há que enunciar a correção académica padrão. German Big Business and the Rise of Hitler (1985), de Henry Ashby Turner, demonstrou a partir de arquivos empresariais que as maiores empresas industriais na sua maioria não financiaram o NSDAP antes de 1933: o partido financiava-se em larga medida com quotas, bilhetes de comícios e publicações, e a maioria dos grandes empresários preferia os partidos conservadores, distribuía apostas por vários e considerava o programa económico nazi uma extravagância perigosa. Os signatários da petição de novembro de 1932 pesavam mais do lado da agricultura, da banca e de empresas médias do que do lado das alturas de comando.3
A afirmação precisa deste capítulo sobrevive a essa correção, porque não é sobre financiamento. É sobre a escolha no ponto de decisão: quando uma elite conservadora em funcionamento teve de decidir entre os nazis e qualquer entendimento com a esquerda organizada, escolheu os nazis, e fê-lo quando eles estavam enfraquecidos, que é quando a alternativa estava mais disponível. E, tomada a decisão, chegou o dinheiro. A 20 de fevereiro de 1933, com a campanha das eleições de março a decorrer, Schacht e Göring reuniram cerca de duas dúzias de industriais de topo (Krupp, IG Farben, empresas mineiras e elétricas) na residência de Göring. Hitler disse-lhes que aquelas podiam ser as últimas eleições em cem anos. Foram prometidos cerca de três milhões de Reichsmark. Essa reunião está documentada, e os próprios relatos de Schacht sobre ela foram juntos em Nuremberga.
Quem foi primeiro para os campos
A prova mais clara para que servia o arranjo é a ordem por que as pessoas foram detidas.
O incêndio do Reichstag de 27 de fevereiro produziu no dia seguinte o Decreto para a Proteção do Povo e do Estado, que suspendeu as liberdades civis. O que se seguiu de imediato foi uma rusga em massa ao Partido Comunista: cerca de 10 000 detenções na Prússia em poucas semanas, deputados do KPD presos, a sua imprensa encerrada. Dachau abriu a 22 de março de 1933; o comunicado de imprensa de Himmler descrevia-o como um campo para comunistas e, nas suas palavras, para funcionários que punham o Estado em perigo. Os primeiros internados foram comunistas, sociais-democratas e sindicalistas.4
A perseguição aos judeus escalou numa série de passos ao longo dos anos seguintes, culminando no assassínio em massa. A perseguição à esquerda organizada foi imediata, completa e primeira, porque era isso o que se prometera entregar.
O que os patrões receberam
A 2 de maio de 1933 (no dia seguinte a o regime ter cooptado o Primeiro de Maio como feriado nacional) as SA e as SS ocuparam todas as sedes sindicais da Alemanha, apreenderam os fundos e prenderam as direções. Os sindicatos independentes deixaram de existir. A negociação coletiva foi abolida; a Lei de Ordenação do Trabalho Nacional (1934) aplicou o princípio da liderança dentro da empresa, tornando o patrão e os trabalhadores os seus seguidores, com os conflitos geridos por fiduciários do Estado.
O que se seguiu foi, do ponto de vista do capital alemão, extremamente bom:
- Disciplina laboral restaurada. Greves acabadas, negociação salarial acabada, comissões de trabalhadores esvaziadas. Os salários recuperaram devagar enquanto os lucros e os dividendos subiam.
- Encomendas de rearmamento. Dinheiro público em escala enorme fluiu para o aço, a química, os veículos, a aviação e a construção.
- «Arianização». Empresas e bens de judeus foram transferidos, geralmente por uma fração do valor, para proprietários não judeus, uma transferência pura e simples de ativos para os politicamente favorecidos.
- Trabalho forçado. Por volta de 1944 a economia de guerra alemã usava milhões de trabalhadores civis estrangeiros, prisioneiros de guerra e internados de campos de concentração. A IG Farben construiu uma fábrica em Auschwitz-Monowitz com mão de obra dos campos; Krupp, Siemens, Daimler-Benz, BMW, Volkswagen e muitas outras usaram trabalhadores forçados.5
E depois, quase nada
Esta é a parte com a sombra mais longa.
Os industriais. No processo da IG Farben (1947–48), treze de vinte e quatro arguidos foram condenados, com penas de dezoito meses a oito anos; todos tinham sido libertados em 1951. Alfried Krupp foi condenado em 1948 a doze anos com confisco de bens; o alto-comissário americano John J. McCloy comutou a pena e devolveu os bens em janeiro de 1951. Friedrich Flick, condenado por usar trabalho escravo, foi libertado em 1950 e morreu o homem mais rico da Alemanha Ocidental.
Os funcionários. A desnazificação nas zonas ocidentais tratou milhões de processos e classificou a esmagadora maioria como seguidores nominais. A lei de 1951 restituiu os direitos de pensão e emprego aos funcionários demitidos após a guerra, devolvendo grande número de antigos membros do partido a cargos públicos. Hans Globke, que escrevera o comentário jurídico oficial às leis raciais de Nuremberga, chegou a chefe da Chancelaria com Adenauer e serviu oito anos.
Os recrutados. Os Estados Unidos levaram o que quiseram. A Operação Paperclip levou para a América cerca de 1600 cientistas e engenheiros alemães, sobretudo Wernher von Braun, cujo programa de V-2 usara trabalho escravo em Mittelbau-Dora; von Braun passou a dirigir o foguetão que chegou à Lua. Reinhard Gehlen, chefe da informação militar da Wehrmacht na frente oriental, foi colocado pelos americanos à frente de uma rede que se tornou o serviço de informações federal da Alemanha Ocidental. Klaus Barbie, chefe da Gestapo em Lião, foi empregado pela contra-informação americana e ajudado a sair da Europa; a França condenou-o em 1987, quarenta e dois anos tarde.6
A razão foi dita abertamente na altura: o novo inimigo era o comunismo, e homens que tinham passado a carreira a combater comunistas eram ativos. A Guerra Fria reciclou o pessoal do projeto anticomunista porque o projeto anticomunista não terminara. É exatamente esse o argumento do capítulo 16.
O outro falhanço
A honestidade exige nomear o contributo da própria esquerda. A linha do «social-fascismo» da Internacional Comunista, em vigor até 1934, sustentava que os sociais-democratas eram o inimigo principal e proibia uma frente única com eles. O KPD passou os anos decisivos a atacar o SPD, cooperando por vezes taticamente com os nazis contra ele. Os dois partidos juntos superaram sistematicamente o NSDAP em votos e nunca se combinaram. Foi uma decisão catastrófica tomada em Moscovo e executada em Berlim, e pertence a este relato ao lado das decisões tomadas por Papen e Hindenburg.
A lição que esta crónica tira
O fascismo não chegou porque uma população enlouqueceu. Chegou porque, num momento específico, uma elite proprietária confrontada com uma esquerda em ascensão decidiu que o maior perigo era a redistribuição e o menor um movimento violento que julgava poder conduzir. Enganou-se quanto à condução. Não se enganou quanto aos lucros.
Guarde a forma dessa decisão. Repete-se, com outros atores e números de vítimas menores, na Guatemala em 1954, no Irão em 1953, na Indonésia em 1965, no Chile em 1973, e numa forma mais pequena e mais quente no Ruanda em 1994, onde uma elite ameaçada escolheu o extermínio em vez de partilhar o poder e calculou que o mundo exterior não a deteria.
Também nisso acertou.
Notas
- Joseph Goebbels, Die Tagebücher, ed. de Elke Fröhlich (Munique: Saur, 1987– ), entradas do final de 1932; discutidas em Ian Kershaw, Hitler 1889–1936: Hubris (Londres: Allen Lane, 1998), pp. 391–405, que é o relato padrão da crise Strasser e das semanas seguintes. ↩
- Declaração juramentada de Kurt Freiherr von Schröder, em Trials of War Criminals before the Nuernberg Military Tribunals (Washington: USGPO, 1949–53); ver também Kershaw, Hubris, pp. 409–415. ↩
- Henry Ashby Turner Jr., German Big Business and the Rise of Hitler (Nova Iorque: Oxford University Press, 1985). Para a história económica do que se seguiu, Adam Tooze, The Wages of Destruction (Londres: Allen Lane, 2006). ↩
- Nikolaus Wachsmann, KL: A History of the Nazi Concentration Camps (Nova Iorque: Farrar, Straus and Giroux, 2015), cap. 1. ↩
- Ulrich Herbert, Hitler's Foreign Workers (Cambridge: Cambridge University Press, 1997); Peter Hayes, Industry and Ideology: IG Farben in the Nazi Era (Cambridge, 1987). ↩
- Annie Jacobsen, Operation Paperclip (Nova Iorque: Little, Brown, 2014); Norbert Frei, Adenauer's Germany and the Nazi Past (Nova Iorque: Columbia University Press, 2002); sobre Barbie, o relatório de 1983 do Gabinete de Investigações Especiais do Departamento de Justiça dos EUA (o «relatório Ryan»). ↩
Quem esteve envolvido
- Figuras
Franz von Papen
A demagogue, hired at a discount
Recently dismissed as Chancellor and determined to get at his successor, he met Hitler at the banker Schröder’s house in Cologne on 4 January 1933 and proposed a joint government. He took the vice-chancellorship and the right to be present whenever Hitler saw the President, and told his allies that in two months they would have Hitler squeaking. Within six months he had been sidelined; by June 1934 his own staff were being shot.
Affidavit of Kurt von Schröder, Nuremberg
- Figuras
Paul von Hindenburg
His own class
Hitler was never elected Chancellor; he was appointed, by an 85-year-old president on the advice of a circle around him. Weimar had been running on presidential emergency decree since 1930, so the question of who ruled Germany was in the hands of perhaps a dozen people. Hindenburg was himself an East Elbian landowner, and the Junkers were pressing hard against a chancellor who had floated land redistribution.
- Figuras
Hjalmar Schacht
The money, once the decision was made
He helped assemble the November 1932 petition asking Hindenburg to appoint Hitler. Then, on 20 February 1933 with the March campaign under way, he and Göring gathered around two dozen leading industrialists (Krupp, IG Farben, mining and electrical concerns) at Göring’s residence, where Hitler told them this might be the last election for a hundred years. Around three million Reichsmarks were pledged.
- Figuras
Gregor Strasser
The party’s anti-capitalist wing
His resignation on 8 December 1932, after Hitler refused to let him take a vice-chancellorship, was the most dangerous internal moment in the party’s history, the point at which the Nazi movement was losing votes, out of money and splitting, seven weeks before it took power. Goebbels records Hitler in these weeks saying that if the party fell apart he would finish it with a pistol in three minutes. Strasser was murdered in the purge of June 1934.
Kershaw, Hitler: Hubris (1998), pp. 391–405
- Fações
The KPD
Communist Party of Germany
Moscow’s line, to the end
Its vote rose in every election from 1928 to November 1932, reaching 100 seats, and for German industrialists and landowners watching Soviet collectivisation, that, not the Nazis, was the emergency. Its own contribution belongs in the account too: the Comintern’s "social fascism" line held that social democrats were the main enemy and forbade a united front. The two parties together consistently outpolled the NSDAP and never combined.
- Figuras
Henry Ashby Turner Jr.
The correction that has to be made
He showed from company archives that the largest industrial firms mostly did not bankroll the NSDAP before 1933: the party funded itself from dues, rally tickets and publications, and most big businessmen hedged across the conservative parties and regarded Nazi economics as crankery. The claim that survives his correction is not about funding but about choice at the decision point: when the elite had to choose between the Nazis and any accommodation with the organised left, it chose the Nazis. Then the money arrived.
Turner, German Big Business and the Rise of Hitler (1985)
- Figuras
John J. McCloy
The new enemy
In January 1951 he commuted Alfried Krupp’s twelve-year sentence and restored the confiscated property. Friedrich Flick, convicted of using slave labour, was released in 1950 and died the richest man in West Germany. The reason was stated openly at the time: the new enemy was communism, and men who had spent their careers fighting communists were assets.
- Figuras
Wernher von Braun
Whoever funds the programme
His V-2 was built by slave labour at Mittelbau-Dora, where more people died making the rockets than were killed by them. Operation Paperclip brought him and around 1,600 other German specialists to the United States, and he went on to direct the rocket that reached the Moon. Reinhard Gehlen was set up running the network that became West Germany’s intelligence service; Klaus Barbie, the Gestapo chief of Lyon, was employed by US counter-intelligence and helped out of Europe.
Jacobsen, Operation Paperclip (2014)