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Capítulo № 25 · 1973 – 1994

A Igreja, a França e o genocídio

Um dos países mais católicos do mundo, e clérigos entre os assassinos. Como isso aconteceu, e quem o armou.

KigaliRoadblocks, prepared lists, and the cards of 1933Kanombe6 April 1994ETO KicukiroTwo thousand sheltering; the peacekeepers leftNyamataAround ten thousandNyangeThe church bulldozed on the people insideMurambiAround forty thousandBiseseroThe detachment left, and returned three days laterKabgayiThe seat of the ChurchThe Turquoise zoneJune–August 199450 kmN
Atlas Onde aconteceu. The largest massacres took place inside churches, because in every previous wave of violence (1959, 1963, 1973) the church had been sanctuary. Nyamata, Nyange and Murambi are on this map for that reason. So is the shaded south-west: the "safe humanitarian zone" established by a French operation in the last month of the genocide, which covered the area still held by the government and its forces, and through which they walked out.
Cronologia

Quando aconteceu

  1. 1 October 1990 The RPF crosses; Opération Noroît begins French paratroopers in Kigali, French instructors training an army that grows from 5,000 to over 30,000, and French soldiers checking Rwandan identity cards at roadblocks.
  2. December 1990 The Hutu Ten Commandments Any Hutu who marries, employs or befriends a Tutsi declared a traitor.
  3. March 1993 An international commission of inquiry reports Documenting the massacres of Tutsi civilians that had occurred repeatedly since 1990, rehearsals that killed thousands and produced no consequences at all.
  4. August 1993 The Arusha Accords Power-sharing, a transitional government, integration of the armies. For the hard core around the president’s family, an existential threat.
  5. from mid-1993 RTLM begins broadcasting Music, jokes and incitement, using a word that had been in circulation since 1963.
  6. 11 January 1994 The Dallaire cable Militia trained by the army, Tutsi registered in Kigali for extermination, arms caches distributed. He proposed to seize the weapons and was ordered instead to inform the president.
  7. 6 April 1994 The aircraft is shot down Who fired remains disputed. What followed within hours is not.
  8. 7 April 1994 The prime minister and ten Belgian peacekeepers killed An act calculated to remove the strongest contingent in the UN force. It worked.
  9. 21 April 1994 UNAMIR cut from 2,500 to 270 Two weeks into a genocide that was being reported daily. In the same period over a thousand Western soldiers arrived to evacuate foreign nationals, and left.
  10. June–August 1994 Opération Turquoise A safe humanitarian zone covering the area still held by the perpetrators.
  11. 1999–2000 The Carlsson and OAU inquiries Both conclude the genocide was preventable, the information was available, and the failure was one of political will.
  12. 2016 and 2017 The Rwandan bishops apologise; then Pope Francis For members of the church who participated, and for the sins and failings of the church and its members.
  13. March 2021 The Duclert report Heavy and overwhelming responsibilities; a colonial reflex; unwavering support for an openly racist regime; and blindness to a genocide visible in France’s own traffic.
The claim that nobody could have known is false, and has been formally found to be false by two independent inquiries. The information was available, the capacity existed, and it was deployed, to remove the people who mattered, and then withdrawn.

Os termos assinalados têm uma definição curta: passe o cursor ou toque no ecrã tátil.

«A França tem um conjunto de responsabilidades pesadas e esmagadoras… Permaneceu cega perante a preparação de um genocídio.»

— Relatório da Comissão Duclert, nomeada pelo Presidente francês e com acesso aos arquivos de Mitterrand, março de 2021

Entre 7 de abril e meados de julho de 1994, entre 800 000 e um milhão de pessoas foram assassinadas no Ruanda em cerca de cem dias. A esmagadora maioria eram tutsis, mortos por serem tutsis; um número considerável eram hutus mortos por se oporem à matança ou por se suspeitar que se opunham.

Dois factos sobre o país tornam necessário escrever este capítulo em vez de apenas registar o número.

O primeiro é que o Ruanda era um dos países mais cristãos da terra. Cerca de noventa por cento da população era cristã, cerca de dois terços católicos, com taxas de frequência dos ofícios entre as mais altas de África. Os maiores massacres tiveram lugar dentro das igrejas, para onde as pessoas tinham ido porque em todas as vagas anteriores de violência (1959, 1963, 1973) a igreja fora santuário. E parte do clero participou.

O segundo é que o Estado que organizou a matança fora armado, treinado, financiado e protegido diplomaticamente pela França, cuja própria comissão de historiadores nomeada pela presidência concluiu agora (usando os arquivos do próprio Estado francês) que a França carrega responsabilidades pesadas e esmagadoras.

O caminho até abril: 1990–1994

A 1 de outubro de 1990 a Frente Patriótica Ruandesa (o movimento armado da geração exilada descrita no capítulo 26) atravessou do Uganda para o norte do Ruanda. A resposta do regime foi imediata em duas frentes: militar e retórica.

Militarmente, a França, a Bélgica e o Zaire enviaram tropas em poucos dias. A Bélgica retirou-se depressa. A França ficou. A Operação Noroît decorreu de outubro de 1990 a dezembro de 1993: paraquedistas franceses em Kigali, oficiais franceses a aconselhar as operações do exército ruandês, instrutores franceses (as missões DAMI) a treinar um exército que passou de cerca de 5000 homens a mais de 30 000 em três anos, soldados franceses nas barreiras e (isto consta do registo parlamentar) a verificar bilhetes de identidade ruandeses, os bilhetes do capítulo 24.1

A motivação nunca foi verdadeiramente sobre o Ruanda. Era a doutrina da influência francesa em África e aquilo a que os próprios responsáveis franceses chamavam o síndrome de Fachoda: a FPR falava inglês, vinha do Uganda e era por isso lida em Paris como instrumento anglo-saxónico a invadir a esfera francesa.

Retoricamente, o regime e a imprensa extremista transformaram a invasão numa emergência racial. Em dezembro de 1990 a revista Kangura publicou os «Dez Mandamentos hutus», que declaravam traidor qualquer hutu que casasse com um tutsi, o empregasse ou dele fosse amigo, e exigiam que os hutus deixassem de ter piedade. A partir de 1993 a estação RTLM (privada, popular, financiada por gente próxima do círculo do presidente) emitiu um fluxo de música, piadas e incitamento, usando a palavra , barata, em circulação desde 1963.

Entretanto os Acordos de Arusha, assinados em agosto de 1993, previam partilha de poder, um governo de transição de base alargada e a integração dos exércitos. Para o núcleo duro em torno da família do presidente (o ), Arusha era uma ameaça existencial, e o genocídio foi, entre outras coisas, a resposta a isso.

Os avisos, e o que se fez com eles

A afirmação de que ninguém podia saber é falsa, e foi formalmente considerada falsa por duas investigações independentes.

A 11 de janeiro de 1994, o major-general Roméo Dallaire, comandante da missão da ONU, enviou um telegrama para a sede em Nova Iorque a relatar informação de um instrutor de topo da milícia : que a milícia fora treinada pelo exército, que tinham registado tutsis em Kigali para extermínio, que se afirmava um ritmo de mil mortes em vinte minutos e que estavam a ser distribuídos depósitos de armas. Dallaire propôs apreender as armas. Foi-lhe ordenado que não o fizesse e instruído que informasse o presidente Habyarimana: isto é, que dissesse ao governo que o seu próprio plano fora denunciado.2

Os serviços belgas, as organizações de direitos humanos e uma comissão internacional de inquérito em março de 1993 tinham todos documentado os massacres de civis tutsis ocorridos repetidamente desde 1990 em Kibilira, no Bugesera e noutros lugares, ensaios, na prática, que mataram milhares e não tiveram consequência alguma.

Os cem dias, e a retirada

A 6 de abril de 1994 o avião do presidente foi abatido na aproximação a Kigali. Quem disparou continua em disputa e esta crónica não toma posição; o que não está em disputa é o que se seguiu em poucas horas. Levantaram-se barreiras, usaram-se listas preparadas, a primeira-ministra moderada Agathe Uwilingiyimana foi assassinada, e dez capacetes azuis belgas que a guardavam foram desarmados e mortos, ato calculado para eliminar o contingente mais forte da força da ONU.

Resultou. A Bélgica retirou-se. A 21 de abril de 1994, com duas semanas de genocídio noticiado diariamente, o Conselho de Segurança da ONU votou reduzir a de cerca de 2500 soldados para 270.

No mesmo período, mais de mil soldados ocidentais (franceses, belgas, italianos, americanos) chegaram para evacuar os seus nacionais e partiram. Evacuaram expatriados e, em vários casos documentados, animais de estimação de expatriados, deixando para trás pessoal ruandês que foi morto depois de eles partirem. Na École Technique Officielle, em Kigali, os capacetes azuis belgas retiraram-se de uma escola onde se tinham refugiado cerca de duas mil pessoas; a maioria foi morta assim que eles saíram.

O governo dos Estados Unidos, entretanto, trabalhou para evitar a palavra. As orientações do Departamento de Estado mandavam os porta-vozes dizer que podiam ter ocorrido «atos de genocídio» e não que estava a ocorrer um genocídio, porque a Convenção sobre o Genocídio cria obrigações. A descoberta dessas orientações em documentos desclassificados em 1998 é um dos itens mais vergonhosos do registo de qualquer governo do período.3

Duas investigações oficiais posteriores (o inquérito independente da própria ONU dirigido por Ingvar Carlsson, de 1999, e o painel da Organização da Unidade Africana, de 2000) concluíram que o genocídio era evitável, que a informação estava disponível e que a falha foi de vontade política.

A igreja

Agora a pergunta que tem de ser feita com clareza: por que não deteve isto a igreja católica no Ruanda?

Porque não estava fora do Estado. O arcebispo Vincent Nsengiyumva, de Kigali, integrou o comité central do partido no poder, o MRND, desde 1976; o Vaticano pressionou-o a demitir-se do cargo em meados dos anos 80 e ele manteve-se nele até 1990. Era ainda confessor pessoal da mulher do presidente. A igreja era a maior instituição do país depois do Estado, dirigia a maioria das escolas e muitos hospitais e detinha propriedade muito considerável. Era um órgão do establishment, não um travão a ele.

Porque construíra as categorias. Os capítulos 23 e 24 traçaram a linha: a etnografia missionária tornou a teoria camita senso comum ruandês; o bispo Classe defendeu o domínio dos chefes tutsis em termos raciais nos anos 20 e 30; monsenhor Perraudin explicou a desigualdade em termos raciais em 1959. Uma instituição que passara setenta anos a ensinar que o Ruanda continha duas raças não estava bem colocada, em 1994, para dizer que não continha.

Porque as suas declarações foram equívocas quando importava. Entre 1990 e 1994 a hierarquia emitiu apelos à paz e à calma que condenavam a violência em termos gerais evitando nomear a ideologia, o partido ou a imprensa que a organizavam. Não houve excomunhão dos organizadores, nem instrução do púlpito de que participar significava a condenação, nem encerramento das igrejas aos assassinos.

E porque parte do seu clero participou. Não é questão de alegações. É questão de condenações:

  • O padre Athanase Seromba, pároco de Nyange, mandou deitar abaixo com uma escavadora a sua própria igreja com entre 1500 e 2000 pessoas abrigadas lá dentro. Foi condenado pelo Tribunal Penal Internacional para o Ruanda e sentenciado em recurso, em 2008, a prisão perpétua. Vivera e exercera como padre em Itália sob outro nome.
  • As irmãs Gertrude Mukangango e Maria Kisito Mukabutera, do convento de Sovu, foram condenadas por um júri belga em 2001 em relação com a morte de milhares de refugiados no convento, incluindo o fornecimento da gasolina usada para incendiar um edifício com pessoas dentro.
  • O padre Emmanuel Rukundo, capelão militar, foi condenado pelo TPIR em 2009 por genocídio, homicídio e outros crimes.

Contra isso há que colocar os padres, freiras e cristãos leigos que esconderam pessoas, recusaram entregar listas e foram mortos por isso. Foram muitos. Ambos os factos são verdadeiros, e a instituição já o disse, tardiamente: os bispos católicos ruandeses emitiram um pedido de desculpas em novembro de 2016 pelos membros da igreja que participaram, e em março de 2017 o papa Francisco pediu perdão ao presidente e ao povo ruandeses pelos pecados e faltas da igreja e dos seus membros. O papa João Paulo II condenara antes o genocídio insistindo simultaneamente em que a igreja enquanto tal não podia ser responsabilizada pelos malfeitos dos seus membros, distinção que muitos ruandeses acharam difícil aceitar de uma instituição que passara um século a reclamar o crédito da formação moral do país.4

Há uma comunidade no Ruanda que constitui o contraexemplo, e merece ser nomeada. A minoria muçulmana do país, talvez um ou dois por cento da população em 1994, não participou na matança enquanto comunidade. Os investigadores que foram procurar o padrão encontraram o mesmo em toda a parte: as mesquitas não se tornaram locais de massacre como as igrejas, bairros muçulmanos como Nyamirambo, em Kigali, ficaram conhecidos como lugares onde se podia esconder tutsis, e os imãs pregaram contra a matança enquanto ela decorria, no momento em que pregar contra ela tinha um preço. A razão dada pela própria comunidade é o sentido de toda esta crónica. Os muçulmanos ruandeses rejeitavam explicitamente a ideologia racial construída para separar hutus de tutsis: no seu ensino não havia muçulmanos hutus nem muçulmanos tutsis, apenas muçulmanos. Uma comunidade que nunca aceitara as categorias camitas não tinha nada a ativar em abril de 1994. Houve exceções individuais e os investigadores registaram-nas, mas foram raras e foram condenadas na altura pela própria liderança da comunidade, que é precisamente o que a hierarquia eclesiástica não fez. O contraste não escapou aos ruandeses: nos anos seguintes ao genocídio, as conversões ao islão aumentaram acentuadamente, impulsionadas, diziam os convertidos, pela memória de quem abrira as suas portas.5

Interior do memorial do genocídio na igreja de Nyamata, com os bancos cobertos de roupa das vítimas
Igreja de Nyamata, hoje memorial. Aqui e nos arredores imediatos foram mortas cerca de dez mil pessoas. A roupa dos mortos foi deixada nos bancos. As pessoas foram à igreja porque em 1959, 1963 e 1973 a igreja fora o lugar onde se estava a salvo.Foto de Fanny Schertzer · Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0

A França

O caso francês foi já examinado pela própria França, o que o torna citável em vez de discutível.

Em 2019 o presidente Macron nomeou uma comissão de historiadores dirigida por Vincent Duclert com acesso sem precedentes aos arquivos presidenciais, diplomáticos, militares e de informações do período Mitterrand. O relatório, entregue em março de 2021, tem cerca de mil páginas. As suas conclusões:

  • A França tinha responsabilidades pesadas e esmagadoras nos acontecimentos que conduziram ao genocídio.
  • A política francesa foi guiada por um reflexo colonial e pelo receio da penetração anglófona, e manteve apoio inabalável a um regime abertamente racista.
  • A França permaneceu cega à preparação de um genocídio visível no seu próprio tráfego diplomático e de informações.
  • A comissão não encontrou provas de que a França fosse cúmplice no sentido de partilhar a intenção de exterminar, conclusão que investigadores ruandeses e o relatório Muse, encomendado separadamente, contestaram por demasiado generosa, aceitando embora o registo factual que a comissão estabeleceu.6

Dois assuntos concretos continuam a ser os mais difíceis.

Armas depois do embargo. A Human Rights Watch documentou entregas de armas às forças ruandesas derrotadas através de Goma depois do embargo de armas da ONU de 17 de maio de 1994, e a missão parlamentar francesa de 1998 examinou as entregas francesas no período anterior. A cronologia do que foi entregue, por quem e com que conhecimento oficial continua contestada em detalhe; que um exército genocida continuou a receber armas, não.

Bisesero. Durante a Operação Turquesa (a intervenção francesa autorizada pelo Conselho de Segurança em junho de 1994, no último mês do genocídio), um destacamento francês encontrou nas colinas de Bisesero sobreviventes tutsis que lhes disseram que ali se caçava e matava gente. O destacamento partiu e voltou três dias depois. Várias centenas de pessoas foram mortas nesse intervalo. Os tribunais franceses examinam o episódio há mais de duas décadas; em 2018 os juízes de instrução ordenaram o arquivamento, confirmado em 2020, decisão que as associações de sobreviventes continuam a contestar.7

O efeito maior da Turquesa é o tema do capítulo 27: a «zona humanitária segura» que estabeleceu no sudoeste tornou-se o corredor pelo qual o governo derrotado, o seu exército e a sua milícia passaram para o Zaire.

Em maio de 2021 Macron falou no memorial de Gisozi, em Kigali. Reconheceu as responsabilidades da França, disse que a França estivera ao lado de um regime genocida e pediu o dom do perdão. Não usou a palavra desculpa, e foi explícito ao dizer que a França não fora cúmplice. Foi, por larga margem, o mais longe que qualquer presidente francês tinha ido.

Por que ninguém veio

A última pergunta é por que o mundo nada fez, e a resposta que esta crónica dá é a que todo o argumento anterior vinha a construir.

Não foi por a intervenção ser impossível. A avaliação de Dallaire (a de que uma força devidamente equipada de cerca de 5000 homens poderia ter travado ou reduzido drasticamente a matança nas primeiras semanas) foi debatida por analistas militares, mas o ponto mais básico mantém-se: as tropas para evacuar estrangeiros chegaram em dias. A capacidade existia. Foi destacada, usada para retirar as pessoas que importavam, e retirada.

Compare-se o tratamento da antiga Jugoslávia nos mesmos anos: uma força permanente da ONU de dezenas de milhares, poder aéreo da NATO, cobertura sustentada nas primeiras páginas e um tribunal de crimes de guerra criado com a guerra ainda a decorrer. A diferença de recursos atribuídos a catástrofes europeias e africanas no mesmo período não é subtil, e não requer uma conspiração para se explicar. Requer apenas a valorização diferencial da vida humana que os capítulos 8 a 14 documentaram a ser fabricada, legislada e ensinada.

Acrescente-se o contexto imediato: a morte de soldados americanos em Mogadíscio em outubro de 1993 produzira uma diretiva presidencial destinada a manter os Estados Unidos fora exatamente deste tipo de operação. Assim, o efeito de segunda ordem de uma intervenção africana falhada foi deixar-se outro país africano a ser exterminado.

Crânios de vítimas conservados no memorial do genocídio de Murambi, Ruanda
Murambi. Os responsáveis locais encaminharam para aqui, para a escola técnica, os tutsis, dizendo-lhes que seriam protegidos. Foram mortas cerca de quarenta mil pessoas. A bandeira francesa esteve hasteada no local durante a Operação Turquesa, e mais tarde descobriu-se um campo de voleibol assente sobre valas comuns, facto estabelecido pelos investigadores ruandeses e cuja interpretação as autoridades francesas contestaram.Wikimedia Commons · domínio público
Onde este capítulo discute consigo mesmo

Três pontos de honestidade. Um: a FPR também cometeu crimes graves, durante a guerra e depois, incluindo a morte de três bispos e de outros dez clérigos em Gitarama em junho de 1994, pela qual tribunais militares ruandeses condenaram quatro soldados, e mortes de represália contra civis hutus documentadas por organizações de direitos humanos. O capítulo 28 trata diretamente das alegações mais amplas, e não por rodeios. Dois: a responsabilidade da França é pesada e está estabelecida; a acusação de cumplicidade em sentido jurídico foi examinada por historiadores com os arquivos à frente e não foi sustentada, e esta crónica regista isso em vez de o ignorar. Três: o papel da Bélgica em 1959 e em 1933 (capítulo 24) é indiscutivelmente o mais profundo em termos causais, e a abrupta retirada belga em abril de 1994 removeu o contingente mais bem equipado do país no momento decisivo.

Nada disto é uma defesa. É a diferença entre uma crónica e um alegato.

O capítulo 26 trata da única força que efetivamente travou a matança.

Notas

  1. Assemblée nationale, Rapport d'information de la mission d'information sur les opérations militaires menées par la France, d'autres pays et l'ONU au Rwanda entre 1990 et 1994 (o relatório Quilès), 1998; Gérard Prunier, The Rwanda Crisis (Nova Iorque: Columbia University Press, 1995), cap. 4. ↩
  2. O telegrama de 11 de janeiro de 1994, «Request for Protection for Informant», divulgado através do National Security Archive; Roméo Dallaire, Shake Hands with the Devil (Toronto: Random House Canada, 2003). ↩
  3. Samantha Power, «Bystanders to Genocide», The Atlantic, setembro de 2001; os documentos de base estão na coleção sobre o Ruanda do National Security Archive. ↩
  4. Timothy Longman, Christianity and Genocide in Rwanda (Cambridge: Cambridge University Press, 2010), é o tratamento académico padrão; ver também Carol Rittner, John K. Roth e Wendy Whitworth (eds.), Genocide in Rwanda: Complicity of the Churches? (Saint Paul: Paragon House, 2004). Acórdãos do TPIR: Procurador c. Seromba, ICTR-2001-66-A (Câmara de Recursos, 12 de março de 2008); Procurador c. Rukundo, ICTR-2001-70-T (2009). ↩
  5. Kristin Doughty e David Moussa Ntambara, Resistance and Protection: Muslim Community Actions During the Rwandan Genocide (Cambridge, MA: CDA Collaborative Learning Projects, 2005); Emily Wax, «Islam Attracting Many Survivors of Rwanda Genocide», The Washington Post, 23 de setembro de 2002; Longman, Christianity and Genocide in Rwanda, sobre a comparação com as igrejas. ↩
  6. Commission de recherche sur les archives françaises relatives au Rwanda et au génocide des Tutsi, La France, le Rwanda et le génocide des Tutsi (1990–1994) (Paris: Armand Colin, 2021); Levy Firestone Muse LLP, A Foreseeable Genocide: The Role of the French Government in Connection with the Genocide Against the Tutsi in Rwanda (2021). ↩
  7. Human Rights Watch, Rwanda/Zaire: Rearming with Impunity (maio de 1995); sobre Bisesero, o trabalho de Patrick de Saint-Exupéry, Complices de l'inavouable: la France au Rwanda (Paris: Les Arènes, 2009), e as sucessivas decisões judiciais francesas. ↩
Dramatis personae

Quem esteve envolvido

  1. Figuras

    Roméo Dallaire

    b. 1946 Force commander, UNAMIR

    The mandate he was refused

    His cable of 11 January 1994 reported the militia training, the registration of Tutsi in Kigali for extermination, and the distribution of arms caches. He proposed to seize the weapons; New York refused and told him to inform the president. His later assessment, that a properly equipped force of around 5,000 could have stopped or drastically reduced the killing, is debated. What is not debated is that over a thousand Western soldiers arrived within days, to evacuate foreigners.

    Dallaire, Shake Hands with the Devil (2003)

  2. Figuras

    Agathe Uwilingiyimana

    1953 – 1994 Prime Minister of Rwanda

    The transitional settlement

    A moderate Hutu prime minister, murdered on the morning of 7 April 1994. The ten Belgian peacekeepers guarding her were disarmed and killed, an act calculated to remove the strongest contingent in the UN force. It worked: Belgium withdrew, and on 21 April the Security Council cut UNAMIR from about 2,500 troops to 270.

  3. Fações

    The akazu

    "the little house"

    c. 1980 – 1994 The circle around the president’s family

    Against Arusha, at any cost

    The hard core of the regime (family, northwestern clients, army officers, businessmen), for whom the Arusha Accords of August 1993, with their power-sharing and army integration, were an existential threat. The genocide was, among everything else it was, the answer to a negotiated settlement that would have ended their monopoly.

    Des Forges, Leave None to Tell the Story (1999)

  4. Fações

    Interahamwe

    "those who attack together"

    1992 – 1994, and after Youth militia of the ruling party

    Hutu Power

    Trained from 1992 by the army, and the primary non-state force in the killing. In January 1994 a senior trainer told the UN force that Tutsi had been registered in Kigali for extermination and that a rate of a thousand killings in twenty minutes was claimed. The commander proposed to seize the arms caches and was ordered instead to inform the president: that is, to tell the government its own plan had been reported.

    Des Forges, Leave None to Tell the Story (1999)

  5. Fações

    RTLM

    Radio Télévision Libre des Mille Collines

    1993 – 1994 Private radio station

    The president’s circle

    Music, jokes, phone-ins and incitement, using the word inyenzi — cockroach — that had been in circulation since 1963. Its organisers, and those of the magazine Kangura, were convicted at Arusha in the Media Trial. Two generations of Rwandans had already been taught in mission classrooms that Tutsi were foreign invaders from the north; the radio did not have to introduce the idea.

    ICTR, Nahimana et al. (the Media Trial)

  6. Figuras

    Vincent Nsengiyumva

    1936 – 1994 Archbishop of Kigali

    The establishment he sat on

    He sat on the central committee of the ruling party from 1976 and remained on it until 1990, after the Vatican had pressed him to resign the position, and was personal confessor to the president’s wife. The church was the country’s largest institution after the state and ran most of its schools. It was an organ of the establishment, not a check on it, which is most of the answer to why it did not stop what happened.

    Longman, Christianity and Genocide in Rwanda (2010)

  7. Figuras

    Athanase Seromba

    b. 1963 Parish priest at Nyange

    Convicted

    He ordered the bulldozing of his own church with roughly 1,500 to 2,000 people sheltering inside, and was sentenced on appeal in 2008 to life imprisonment. He had been located in 2001 by a journalist, living and serving as a priest in Italy under a different name. Against him must be set the priests and nuns who hid people, refused to hand over lists, and were killed for it. Both facts are true.

    ICTR, Prosecutor v. Seromba (2008)

  8. Figuras

    Vincent Duclert

    b. 1961 Historian; chaired the French archives commission

    The archives, opened

    His commission was given unprecedented access to the presidential, diplomatic, military and intelligence archives of the Mitterrand period, and reported in 2021 in about a thousand pages: heavy and overwhelming responsibilities, a colonial reflex, unwavering support for an openly racist regime, and blindness to a genocide visible in France’s own traffic. It found no evidence of complicity in the legal sense, a conclusion disputed as too generous, by people who accept the factual record it established.

    La France, le Rwanda et le génocide des Tutsi (2021)

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O conteúdo é anotado; correções são bem-vindas.