O mandato belga e a revolução fabricada
O bilhete de identidade de 1933, o bispo Perraudin, e uma Igreja que mudou de lado sem mudar de método.
Quando aconteceu
- 1926–33 The Mortehan reforms Three chieftainships merged into one chief per district, appointed by the administration and chosen overwhelmingly from the Tutsi chiefly class on Bishop Classe’s explicit advice.
- 1931 Musinga deposed For refusing to convert and obstructing the reforms. He dies in exile in the Belgian Congo.
- 1933–34 The identity card Hutu, Tutsi, Twa or Naturalised, inherited patrilineally, unchangeable. Where local knowledge was ambiguous, the administration used cattle wealth and physical measurement. There are photographs of the measuring.
- 1943–44 The Ruzagayura famine A quarter to a third of a million dead, on a population already stripped of reserves by requisition and export cultivation.
- 1954 Ubuhake abolished The cattle contract goes. Uburetwa, the labour obligation, and the card, do not.
- 24 March 1957 The Bahutu Manifesto Real grievances in the colonial frame: Hutu and Tutsi as races, Tutsi as foreign Hamitic conquerors, and a demand that the identity cards be kept, so the statistics of domination could be documented.
- 11 February 1959 Super omnia caritas The most Catholic institution in one of the most Catholic countries in Africa tells its faithful, from every pulpit, that their society’s inequality is a matter of race.
- July 1959 Mwami Rudahigwa dies in Bujumbura Suddenly, after an injection administered by a Belgian doctor. Rumours of poisoning were immediate and have never been resolved.
- November 1959 The muyaga — the wind A false rumour that a Hutu sub-chief had been killed sets off attacks, burning and flight across the country.
- 1959–60 Colonel Logiest replaces the chiefs Belgium declares an emergency and appoints a special resident with effectively unlimited authority. He does not restore the status quo; he installs Hutu appointees across the country, and says so in his memoirs.
- January 1961 Gitarama: the monarchy abolished The UN commission on the spot described the proceedings as an unlawful seizure and warned of a one-party dictatorship built on a racial ideology.
- 1 July 1962 Independence
- December 1963 The Gikongoro reprisals Ten to fourteen thousand killed. Bertrand Russell called it the most horrible and systematic massacre since the extermination of the Jews. It received a few days of attention.
- July 1973 Habyarimana’s coup The structures untouched. The cards stayed, the quota stayed, the refugees stayed out.
Os termos assinalados têm uma definição curta: passe o cursor ou toque no ecrã tátil.
«No nosso Ruanda, as diferenças e as desigualdades sociais estão em grande parte ligadas a diferenças de raça.»
— monsenhor André Perraudin, carta pastoral da quaresma Super omnia caritas, 11 de fevereiro de 1959A Bélgica governou o Ruanda durante quarenta e seis anos. Nesse tempo fez duas coisas que tornaram possível tudo o que veio depois, e fê-las pela ordem inversa àquela que se espera.
Primeiro, entre 1926 e 1933, pegou nas categorias sociais fluidas do capítulo 22, endureceu-as numa única hierarquia racial e imprimiu-as num cartão que todo o ruandês tinha de trazer consigo. Segundo, nos anos cinquenta, perante a descolonização e uma elite tutsi que começara a pedir a independência, manteve a hierarquia racial exatamente como estava e simplesmente mudou a raça que apoiava, com a colaboração ativa da igreja católica, cuja figura máxima no Ruanda forneceu o enquadramento teológico.
Nenhuma das manobras foi oculta. Ambas estão documentadas nos próprios arquivos da administração, nas próprias cartas pastorais da igreja e nas memórias do oficial que executou a segunda.
A forma jurídica
A Bélgica administrou o Ruanda ao abrigo do mandato de classe B da Sociedade das Nações confirmado em 1922, e depois de 1946 como território sob tutela das Nações Unidas. A teoria jurídica, do artigo 22 do Pacto da Sociedade, era a de que os povos em causa «não eram ainda capazes de se governar a si próprios nas condições especialmente difíceis do mundo moderno» e que a sua tutela era uma «missão sagrada de civilização», a fórmula que o capítulo 14 rastreou até ao de 1513.
Na prática, o mandato significava que a Bélgica governava um país densamente povoado e de grande potencial agrícola com muito poucos belgas, e precisava do mesmo de que a Alemanha precisara: administradores locais que cobrassem, recrutassem e fizessem cumprir.
Simplificar o Estado até se poder usá-lo
As reformas associadas ao residente Georges Mortehan, de 1926 até ao início dos anos 30, são o menos famoso e um dos mais destrutivos atos praticados sobre o Ruanda.
O capítulo 22 descreveu o arranjo pré-colonial: três chefias separadas em cada distrito (da terra, das pastagens e dos homens), habitualmente exercidas por pessoas diferentes, de modo que nenhum notável detivesse todas as formas de autoridade num lugar. Era um travão deliberado ao poder.
A Bélgica aboliu-o. Os três cargos foram fundidos num chefe por distrito, nomeado pela administração colonial e perante ela responsável, e os titulares foram escolhidos de forma esmagadora entre a classe dos chefes tutsi, por conselho explícito do bispo Classe e da etnografia missionária do capítulo 23. Os chefes hutus e as linhagens semiautónomas do norte foram eliminados. Às vésperas da viragem de 1959, a grande maioria dos chefes e subchefes do país era tutsi, uma concentração sem precedente pré-colonial.1
O efeito na vida quotidiana foi direto: um único funcionário controlava agora o acesso à terra, o gado, a requisição de trabalho, os impostos e a justiça em cada colina, e prestava contas para cima aos europeus e não de lado a rivais nem para baixo a clientes. O , a obrigação de trabalho sobre os cultivadores hutus, foi mantido e alargado; a isso juntaram-se o cultivo forçado de café para exportação e o trabalho forçado em estradas e socalcos antierosão. Quando a fome de Ruzagayura se abateu em 1943–44, matando da ordem de um quarto a um terço de milhão de pessoas, caiu sobre uma população já despida de reservas pela requisição e pelo cultivo de exportação.
1933: o cartão
Em 1933–34 a administração belga realizou um censo e emitiu bilhetes de identidade que registavam cada pessoa como hutu, tutsi, twa ou naturalizada. A partir daí, todo o ruandês trazia a sua categoria no bolso, herdava-a por via paterna e não a podia mudar.
Como eram as pessoas classificadas? O conhecimento local existente e a autoidentificação fizeram boa parte do trabalho, mas onde era ambíguo a administração usou a riqueza em gado (a regra prática habitualmente citada é um limiar de cerca de dez cabeças) e, de um modo inteiramente típico da época, a medição física. Missões científicas belgas mediram alturas, comprimentos e larguras de nariz e dimensões cranianas, e publicaram os resultados. A medição não é metáfora. Há fotografias dela.2
Três consequências merecem ser enunciadas em separado, porque cada uma foi decisiva.
- Aboliu a mobilidade. Os processos descritos no capítulo 22 (o , tornar-se tutsi pela riqueza ao longo de uma geração, e o seu inverso) tornaram-se impossíveis. Uma categoria que fora em parte uma descrição de estatuto passou a ser um atributo herdado permanente.
- Tornou a categoria administrativamente real. A admissão escolar, o emprego no serviço colonial e a nomeação como chefe eram racionados por ela. As oportunidades de vida de um ruandês passavam agora por uma linha num cartão.
- Tornou o genocídio operacionalmente possível sessenta e um anos depois. Em 1994 os homens nas barreiras pediam os documentos. Matar centenas de milhares de pessoas em cem dias exigia saber, depressa, quem era quem. A Bélgica tinha fornecido isso.
1927, bispo Léon Classe, a avisar a administração contra a remoção dos chefes tutsis: substituí-los por gente comum seria eliminar os chefes natos e entregar o país à anarquia e ao comunismo antieuropeu.
1959, monsenhor André Perraudin, na carta pastoral citada à cabeça deste capítulo: as diferenças e as desigualdades sociais no Ruanda estão em grande parte ligadas a diferenças de raça; e, continuava, os que possuem a riqueza e o poder político e judicial constituem na prática uma só raça.
Com trinta e dois anos de distância, pelos dois mais altos eclesiásticos do país, em defesa de resultados políticos opostos, e das duas vezes a raça é a categoria operativa. É essa a continuidade de que trata este capítulo.
Classe, em L'Essor colonial et maritime, 1930, e correspondência missionária; Perraudin, Super omnia caritas, 11 de fevereiro de 1959A troca de lado
Em meados dos anos cinquenta duas coisas tinham mudado.
A elite tutsi tornara-se nacionalista. Educada em escolas missionárias, a ver o Gana e a Guiné caminharem para a independência e pressionada pelas missões visitadoras do regime de tutela da ONU, o Alto Conselho do começou a exigir um calendário de independência. Do ponto de vista belga, a elite que cultivara durante trinta anos transformara-se num partido anticolonial.
O pessoal da igreja mudara. Os Padres Brancos de entre guerras tinham sido em larga medida europeus aristocráticos e conservadores, afins a uma corte tutsi. A geração do pós-guerra incluía muitos padres flamengos e suíços de origem modesta, formados na política democrata-cristã e do catolicismo social, que olhavam para o Ruanda e viam um campesinato oprimido por uma aristocracia feudal. Essa leitura não era simplesmente inventada (o uburetwa era real e brutal), mas sobrepunha a análise de classe diretamente às categorias raciais que a própria igreja passara décadas a endurecer.
A figura decisiva é André Perraudin, Padre Branco suíço, vigário apostólico de Kabgayi desde 1956 e na prática cabeça da igreja ruandesa. O seu protegido e outrora secretário foi Grégoire Kayibanda, diretor do jornal católico Kinyamateka e depois primeiro presidente do Ruanda.
Em março de 1957, nove intelectuais hutus publicaram o Manifesto Bahutu, «Nota sobre o aspeto social do problema racial indígena no Ruanda». As suas queixas sobre a exclusão da educação, dos cargos e da terra eram reais e substancialmente justificadas. O seu quadro era o colonial: tratava hutus e tutsis como raças, descrevia os tutsis como conquistadores camitas estrangeiros e exigia que os bilhetes de identidade fossem mantidos para que as estatísticas da dominação pudessem ser documentadas.3
Dois anos depois a carta de quaresma de Perraudin deu autoridade episcopal a esse quadro. A instituição mais católica de um dos países mais católicos de África disse aos seus fiéis, de todos os púlpitos do país, que a desigualdade da sua sociedade era uma questão de raça.
Novembro de 1959: o vento da destruição
Em julho de 1959 o mwami Mutara III Rudahigwa morreu subitamente em Bujumbura, após uma injeção administrada por um médico belga. Os rumores de envenenamento foram imediatos e nunca foram esclarecidos.
A 1 de novembro de 1959 um subchefe hutu e ativista do PARMEHUTU, Dominique Mbonyumutwa, foi atacado por jovens tutsis perto de Byimana. O rumor de que fora morto (não fora) desencadeou aquilo a que os ruandeses chamam o , o vento: ataques a casas tutsis por todo o país, incêndios, mortes e fuga.
O que aconteceu a seguir é o que faz disto uma revolução fabricada e não espontânea. A Bélgica declarou o estado de emergência militar e nomeou o coronel Guy Logiest residente especial com autoridade praticamente ilimitada. Logiest não restaurou o statu quo. Usou a emergência para substituir os chefes, instalando em poucos meses nomeados hutus no lugar dos tutsis por todo o país. Depois foi inteiramente franco a esse respeito, escrevendo nas memórias sobre a sua determinação de devolver aos hutus a dignidade e reconhecendo que tomara partido.4
Depois vieram as eleições. As eleições comunais de meados de 1960 realizaram-se sob a nova administração local nomeada por hutus, com os dirigentes políticos tutsis no exílio, em fuga ou em boicote. O PARMEHUTU venceu de forma esmagadora. Em janeiro de 1961, em Gitarama, uma assembleia dos novos presidentes de câmara (convocada com o conhecimento e a presença da administração belga) aboliu a monarquia e proclamou uma república. A comissão das Nações Unidas presente no terreno descreveu o processo como uma tomada ilegal do poder e avisou que o Ruanda caminhava para uma ditadura de partido único assente numa ideologia racial. A independência veio a 1 de julho de 1962, com Kayibanda como presidente.
O exílio e os massacres que ninguém recorda
Entre 1959 e 1964, entre 120 000 e 300 000 tutsis fugiram para o Burundi, o Uganda, o Tanganica e o Congo. Não lhes foi permitido regressar. Sucessivos governos ruandeses sustentaram que o país era pequeno demais e estava cheio demais, posição que a comunidade internacional aceitou durante trinta anos, ratificando na prática uma população apátrida permanente. Essa decisão produziu a geração que aparece no capítulo 26.
Os grupos exilados lançaram incursões a partir do outro lado das fronteiras; o governo chamou-lhes , baratas, a palavra que ainda estaria em uso na rádio em 1994. Após uma incursão a partir do Burundi para o Bugesera em dezembro de 1963, o governo organizou represálias contra civis tutsis. Foram mortas entre dez e catorze mil pessoas, concentradas em Gikongoro. Bertrand Russell descreveu-o publicamente como o massacre mais horrível e sistemático que testemunhara desde o extermínio dos judeus. Recebeu alguns dias de atenção internacional e depois nada.5
As duas repúblicas, em breve
A Primeira República de Kayibanda institucionalizou o que 1959 produzira: bilhetes de identidade mantidos, um sistema de quotas que limitava os tutsis a uma parcela nominal dos lugares escolares e do emprego público, e vagas periódicas de violência, sobretudo em 1973, quando campanhas de expulsão de escolas e locais de trabalho empurraram para fora outra vaga de refugiados.
Em julho de 1973 o chefe do estado-maior do exército, Juvénal Habyarimana, tomou o poder num golpe e fundou a Segunda República. Durante algum tempo os doadores consideraram-no uma figura estabilizadora: a violência contra os tutsis diminuiu face aos picos anteriores, e o Ruanda do final dos anos 70 e início dos 80 era um favorito das agências europeias de ajuda: ordeiro, trabalhador, católico. As estruturas ficaram intactas. Os cartões ficaram. A quota ficou. Os refugiados ficaram fora. E o favoritismo regional passou a beneficiar a região natal do presidente, no noroeste, alienando também os hutus do sul.
Nada do que aqui se diz deve ser lido como defesa da elite tutsi pré-colonial ou da época colonial. O uburetwa era uma extração de trabalho genuína, humilhante e racializada na prática, e os homens que escreveram o Manifesto Bahutu tinham queixas reais que uma administração colonial passara trinta anos a aprofundar. Uma revolução contra essa ordem não era ilegítima.
O argumento deste capítulo é sobre o quadro e as mãos. A revolução foi conduzida num vocabulário racial fabricado por europeus, ratificado por um bispo e executada sob a direção de um coronel belga que escolheu os vencedores e os nomeou para os cargos. O que poderia ter sido uma luta contra um sistema de extração tornou-se uma disputa entre duas raças inventadas, com o resultado de que a sua vitória exigiu não a abolição do uburetwa e do cartão, mas a expulsão de um povo. O cartão manteve-se até 1994, quando foi usado para separar as pessoas nas barreiras.
O capítulo 25 leva a história do Ruanda estável, financiado por ajuda e profundamente católico de Habyarimana até abril de 1994, e pergunta o que a igreja e a França estavam a fazer enquanto isso acontecia.
Notas
- Catharine Newbury, The Cohesion of Oppression: Clientship and Ethnicity in Rwanda, 1860–1960 (Nova Iorque: Columbia University Press, 1988), caps. 6–7; Mahmood Mamdani, When Victims Become Killers (Princeton, 2001), pp. 88–102. ↩
- Jean-Pierre Chrétien, The Great Lakes of Africa (Nova Iorque: Zone, 2003), pp. 282–297; Gérard Prunier, The Rwanda Crisis: History of a Genocide (Nova Iorque: Columbia University Press, 1995), pp. 26–40. ↩
- «Note sur l'aspect social du problème racial indigène au Rwanda» (o Manifesto Bahutu), 24 de março de 1957; discutido em Prunier, The Rwanda Crisis, pp. 45–48, e em Linden, Church and Revolution in Rwanda, cap. 9. ↩
- Guy Logiest, Mission au Rwanda: un Blanc dans la bagarre Tutsi-Hutu (Bruxelas: Didier Hatier, 1988); Prunier, The Rwanda Crisis, pp. 48–54, cita e analisa o próprio relato de Logiest. ↩
- René Lemarchand, Rwanda and Burundi (Londres: Pall Mall, 1970), sobre os massacres de 1963–64; a declaração de Russell apareceu na imprensa britânica no início de 1964. ↩
Quem esteve envolvido
- Figuras
Georges Mortehan
Administrative simplicity
The reforms that carry his name are the least famous and among the most destructive things done to Rwanda. The precolonial arrangement gave each district three chiefs (of the land, of the pastures and of men), usually different people, so that no notable held every kind of authority. Belgium merged them into one chief per district, appointed from above and answerable upwards. A single official now controlled land, cattle, labour, tax and justice on every hill.
Mamdani, When Victims Become Killers (2001), pp. 88–102
- Figuras
Léon Classe
The natural-born chiefs
The dominant church figure of the interwar period, and the man the administration listened to because he knew the country and they did not. He warned in print and in official correspondence that removing Tutsi chiefs and replacing them with commoners would eliminate the natural-born chiefs and deliver Rwanda to anarchy and anti-European communism. The Mortehan reforms followed his advice.
Linden, Church and Revolution in Rwanda (1977)
- Figuras
André Perraudin
The switch, with episcopal authority
A Swiss White Father, effectively head of the Rwandan church, whose Lenten letter of 11 February 1959 told the faithful from every pulpit in one of the most Catholic countries in Africa that their society’s inequalities were in large part linked to differences of race. His protégé and former secretary, Grégoire Kayibanda, became the country’s first president. Thirty-two years after Classe had used the same category to defend the opposite outcome.
Perraudin, Super omnia caritas (1959)
- Figuras
Guy Logiest
He said so himself
Appointed with effectively unlimited authority when Belgium declared a military emergency in November 1959, he did not restore the status quo. He used the emergency to replace Tutsi chiefs with Hutu appointees across the country within months, and then held elections under the administration he had installed. He was entirely candid afterwards, writing of a determination to give the Hutu back their dignity and acknowledging that he had taken sides.
Logiest, Mission au Rwanda (1988)
- Figuras
Mutara III Rudahigwa
Latterly, independence
Catholic-educated and initially Belgium’s preferred mwami; he abolished ubuhake in 1954 and moved toward an independence agenda, which is precisely when Belgium’s enthusiasm for the elite it had cultivated for thirty years began to fail. He died suddenly in Bujumbura in July 1959, after an injection administered by a Belgian doctor. The rumours of poisoning were immediate and have never been resolved.
Linden, Church and Revolution in Rwanda (1977)
- Figuras
Kigeli V Ndahindurwa
A throne for two years
Rudahigwa’s half-brother, installed in the middle of the muyaga and dethroned within two years by an assembly of burgomasters convened with the Belgian administration’s knowledge. He lived the rest of his life in exile, latterly in the United States, and died in Washington in 2016. The last mwami of Rwanda.
- Figuras
Grégoire Kayibanda
PARMEHUTU
Seminary-trained, editor of the Catholic paper Kinyamateka, secretary to Monsignor Perraudin, co-author of the Bahutu Manifesto, and the man who led Rwanda to independence. His republic kept the identity card, added a quota limiting Tutsi to a nominal share of school places and public employment, and refused the refugees’ return. He died under house arrest after the 1973 coup.
Lemarchand, Rwanda and Burundi (1970)
- Fações
PARMEHUTU
Parti du Mouvement de l’Émancipation Hutu
Emancipation, in a racial frame
It swept communal elections held under a Hutu administration installed by a Belgian colonel, with Tutsi leaders in exile, in flight or boycotting; it abolished the monarchy at Gitarama; and it governed as an effective single-party state until 1973. Its grievances were real and a colonial administration had spent thirty years deepening them. Its framework was the colonial one, which is why its victory required not the abolition of the card but the expulsion of a people.
Lemarchand, Rwanda and Burundi (1970)