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Capítulo № 28 · 1994 – present

O problema de uma Ruanda bem-sucedida

O que mostra o registo do desenvolvimento, em que consiste a crítica, e como distinguir uma coisa da outra.

Peacekeepers, per capita among the world’s largest contributorsKigaliNo water, power, police or banks in July 1994GomaTaken by M23, 2025CairoA partner in good standingAddis AbabaTigrayKampalaSame president since 1986RiyadhNo elections at allLondonArgued in its own Supreme Court that Rwanda was safeJohannesburgKaregeya, New Year’s Eve 2013Cabo DelgadoRwandan troops, at Maputo’s request2 500 kmN
Atlas Onde aconteceu. The comparison is the argument. Every capital marked here has a record that would justify the register of scrutiny applied to Kigali, and none of them attracts it: no elections at all, tens of thousands of political prisoners, a war with a death toll in the hundreds of thousands, the same president since 1986. The point is not that Rwanda should be judged by the worst available standard. It is that the intensity of the attention is not calibrated to conduct.
Cronologia

Quando aconteceu

  1. 1994 Life expectancy around 28 years Under-five mortality above 150 per 1,000. No health insurance. No functioning state.
  2. from 1999 Mutuelles de santé Community-based health insurance with premiums scaled to household category, one of the few functioning universal-coverage schemes in a low-income country.
  3. 2003 A new constitution; the ethnic identity card abolished A single Rwandan citizenship, and the end of the document Belgium introduced in 1933.
  4. 2008 Women take a majority of the lower house Around 60 per cent, the highest in the world, held ever since. The same year, one of the earliest and strictest national bans on single-use plastic bags.
  5. 2010 Kagame re-elected with 93 per cent Victoire Ingabire imprisoned after returning to contest it. Results of that shape are not evidence of popularity.
  6. 31 December 2013 Patrick Karegeya strangled in Johannesburg A South African inquest concluded that Rwandan state agents were responsible.
  7. 2015 A referendum resets term limits Reported as passing with over 98 per cent support, permitting a presidency into the 2030s.
  8. 2019 The poverty statistics disputed The government contests the criticism. What is not contested is that poverty remains high and rural inequality has grown alongside urban development.
  9. 2020 Rusesabagina taken onto an aircraft in Dubai Delivered to Kigali, which by any ordinary definition is a rendition.
  10. 2022–24 The British asylum scheme Rwanda simultaneously safe enough to receive Britain’s refugees and unsafe enough to be lectured. The two positions were never reconciled because they were never about Rwanda.
  11. 2024–25 M23 takes Goma UN Group of Experts reports document Rwandan support, including RDF personnel on Congolese territory. Rwanda denies the characterisation. The suffering is real, and the FDLR’s existence explains the security interest without licensing everything done under it.
Hold both. The development record is real and historically extraordinary. The political constraints are real and impose real costs on real people. And the double standard in how all of it is reported is also real: it is the four-hundred-year-old habit of chapter 8, still running.

Os termos assinalados têm uma definição curta: passe o cursor ou toque no ecrã tátil.

«Em 2022 o governo britânico argumentou nos seus próprios tribunais que o Ruanda era um país seguro para onde podia deportar requerentes de asilo, enquanto os comentadores britânicos o descreviam como um Estado repressivo. Ambas as posições foram sustentadas ao mesmo tempo, pelo mesmo país, sobre o mesmo país.»

— uma observação sobre a fiabilidade dos juízos ocidentais acerca do Ruanda

Este é o capítulo mais difícil de escrever com honestidade em toda a crónica, e vale a pena nomear a dificuldade logo de início.

Há um registo real de desenvolvimento, e é notável. Há críticas reais, e algumas são sérias e bem documentadas. Existe também um movimento bem organizado, descrito no capítulo 27, cujo interesse nessas críticas é relitigarem 1994. E existe um padrão duradouro (o tema de toda esta crónica) segundo o qual a competência africana é recebida como suspeita e o fracasso africano como confirmação.

Um capítulo que relatasse apenas o primeiro ponto seria propaganda. Um que relatasse apenas o segundo estaria a fazer o trabalho do terceiro. Este tenta os quatro, por ordem.

O que foi realmente construído

Comecemos pelo aspeto que tem, trinta anos depois, um Estado que deixou de existir em 1994.

IndicadorMeados dos anos 90Recente
Esperança de vida à nascençaCerca de 28 anos (1993)Cerca de 67–70 anos
Mortalidade abaixo dos cinco anosAcima de 150 por 1000 nados-vivosCerca de 40 por 1000
Cobertura de seguro de saúdeNenhumaSistema comunitário que cobre a grande maioria da população
Mulheres na câmara baixa do parlamento—Cerca de 60 por cento, a mais alta do mundo desde 2008
Crescimento real do PIB—Média de cerca de 7–8 por cento ao ano nas duas décadas até 2019

Os pormenores importam tanto como os agregados. As (seguro de saúde comunitário com prémios escalonados pela categoria do agregado) foram construídas quase do nada e são um dos poucos sistemas de cobertura universal a funcionar num país de baixo rendimento. Uma rede nacional de agentes comunitários de saúde, eleitos pelas suas próprias aldeias, trata da primeira linha. O Ruanda foi o primeiro país de baixo rendimento a fazer vacinação contra o VPH em larga escala. Os hemoderivados chegam a clínicas remotas por drones autónomos, o que não é um truque; é uma solução para um problema logístico real num país de colinas.

Para além da saúde: matrícula primária quase universal; uma classificação em matéria de corrupção consistentemente entre as melhores de África e melhor do que a de vários Estados-membros da UE; uma das mais antigas e rigorosas proibições nacionais de sacos de plástico de uso único (2008); o , a manhã mensal de trabalho comunitário obrigatório; e a abolição do bilhete de identidade étnico do capítulo 24, a par de um quadro jurídico assente numa única cidadania ruandesa.

O Ruanda é ainda, por habitante, um dos maiores contribuintes de tropas e polícia para operações de paz das Nações Unidas no mundo, e destacou forças para Cabo Delgado, em Moçambique, a pedido de Maputo. Um país que a comunidade internacional abandonou em 1994 fornece agora os capacetes azuis dessa comunidade.

Vista sobre as colinas e os edifícios de Kigali, Ruanda
Kigali. Em julho de 1994 a cidade não tinha água, nem eletricidade, nem polícia, nem bancos a funcionar, nem governo. É uma das razões pelas quais o registo do país é politicamente incómodo: é muito difícil de conciliar com uma teoria que exige que os Estados africanos falhem.Foto de Zenith4237 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

A crítica, enunciada com toda a força

Eis o argumento contra, tal como os seus defensores mais sérios o formulam. Esta crónica não o afasta com um gesto.

A competição eleitoral não existe em nenhum sentido significativo. Paul Kagame venceu eleições presidenciais com 95, 93 e 99 por cento dos votos. Um referendo constitucional de 2015, que segundo o relatado passou com mais de 98 por cento de apoio, reiniciou os limites de mandato de um modo que lhe permite manter-se no cargo até à década de 2030. Resultados eleitorais com esta forma não são prova de popularidade; são prova de que a disputa não é aberta.

A política de oposição tem um custo real. Victoire Ingabire foi presa depois de regressar para concorrer às eleições de 2010 e libertada por graça presidencial em 2018. Diane Rwigara foi desqualificada e processada, e depois absolvida. Jornalistas e comentadores foram presos, e vários desapareceram.

Há provas credíveis de violência contra críticos exilados. Patrick Karegeya, antigo chefe das informações externas, foi estrangulado num quarto de hotel em Joanesburgo na noite de fim de ano de 2013; um inquérito judicial sul-africano concluiu que agentes do Estado ruandês foram responsáveis. Houve repetidas tentativas contra a vida do general Kayumba Nyamwasa na África do Sul. Paul Rusesabagina (o homem retratado em Hotel Ruanda, e um crítico declarado cujo grupo armado associado reivindicara atentados) foi levado para um avião no Dubai sob falsos pretextos e entregue em Kigali em 2020, o que por qualquer definição comum é uma entrega extraordinária.

O leste do Congo. Este é o ponto mais grave, e é atual. Sucessivos relatórios do Grupo de Peritos da ONU sobre a RDC (órgão com mandato do Conselho de Segurança) documentaram o apoio ruandês ao grupo armado , incluindo a presença de pessoal da Força de Defesa do Ruanda em território congolês, apoio de comando e material. A escalada de 2024–25, incluindo a tomada de Goma pelo M23, produziu deslocações e mortes em massa. O Ruanda nega essa caracterização.1

E as estatísticas são contestadas. Uma investigação de 2019 levantou dúvidas sérias sobre revisões da medição da pobreza no Ruanda, e economistas independentes sustentaram que a redução de pobreza reportada é sobrestimada. O governo contesta-o. O que não é contestado é que a pobreza continua alta (cerca de 40 por cento pelas medições nacionais) e que a desigualdade rural cresceu a par do desenvolvimento urbano.2

O que o Ruanda diz

As respostas do governo não são frívolas e merecem ser enunciadas nos seus próprios termos.

Sobre a competição política: que uma política de partidos étnicos sem restrições é precisamente o que produziu 1994; que o PARMEHUTU venceu eleições livres em 1960 e as usou para organizar uma expulsão; que as leis contra a ideologia genocida existem porque um movimento genocida continua a operar a partir do estrangeiro; e que um país onde sobreviventes e perpetradores vivem na mesma colina não é o lugar para importar um modelo político concebido para sociedades sem essa história.

Sobre o Congo: que as (descendente organizacional direto da força que executou o genocídio) operam no leste do Congo há trinta anos, que se integraram com unidades do exército congolês, que nenhuma potência externa as desarmou apesar de repetidos pedidos, e que um Estado cuja população foi exterminada uma vez enquanto o mundo assistia não aceitará um movimento armado genocida na sua fronteira.

Sobre a soberania: que os países que oferecem lições são os que construíram o bilhete de identidade, abençoaram a teoria racial, armaram o regime e partiram em abril de 1994.

O duplo critério, medido

Vamos agora ao argumento próprio da crónica, que não é o de que as críticas sejam falsas mas o de que o modo como são aplicadas não é consistente, e a inconsistência segue uma linha que este livro vem a traçar desde o capítulo 8.

Considerem-se as comparações.

  • As monarquias do Golfo não realizam eleições nenhumas, criminalizam a dissidência por completo e mantêm sistemas laborais que organismos internacionais compararam a trabalho forçado. Recebem visitas de Estado, contratos de armamento e campeonatos do mundo.
  • O Egito chegou ao poder num golpe contra um governo eleito, tem dezenas de milhares de presos políticos e recebe bem mais de mil milhões de dólares por ano em ajuda militar americana.
  • A Etiópia travou uma guerra em Tigré com um número estimado de mortos na ordem das centenas de milhares e continua a ser um parceiro em bom nome.
  • O Uganda tem o mesmo presidente desde 1986 e não é, no comentário ocidental, sinónimo de autoritarismo.
  • E Estados com registos de assassínio extraterritorial muito piores do que o do Ruanda não são habitualmente descritos como Estados policiais movidos por uma personalidade.

A questão não é que o Ruanda deva ser julgado pelo pior critério disponível. É que a intensidade e o registo do escrutínio não estão calibrados pela conduta. O Ruanda atrai um tipo muito particular de atenção: um volume desmesurado de comentário face à sua dimensão e peso estratégico, um foco persistente no carácter de um só homem, e uma insinuação recorrente de que o registo de desenvolvimento é de algum modo fraudulento: que as estatísticas têm de estar cozinhadas, que as ruas limpas têm de esconder alguma coisa, que aquilo não pode ser realmente o que parece.

Essa última jogada é o sinal, e é a razão pela qual este capítulo está nesta crónica e não numa revista de política externa. Um país que falha confirma o modelo. Um país que triunfa tem de ser explicado e afastado. O capítulo 11 documentou o que foi feito ao Haiti pela mesma ofensa, a maior custo e durante mais tempo. O instrumento passou das canhoneiras aos relatórios de think tanks. A função é reconhecível.

O episódio do asilo britânico de 2022–24 torna a incoerência concreta: o Reino Unido argumentou perante o seu próprio Supremo Tribunal que o Ruanda era um destino seguro e respeitador dos direitos para as pessoas que desejava deportar, enquanto boa parte do comentário britânico sobre o Ruanda descrevia um Estado repressivo. O Ruanda era simultaneamente seguro o bastante para receber os refugiados da Grã-Bretanha e inseguro o bastante para ser sermoneado. As duas posições nunca foram conciliadas porque nunca foram sobre o Ruanda.

Onde este capítulo discute consigo mesmo

O argumento do duplo critério é verdadeiro e é também perigoso, porque pode ser usado para retirar todas as acusações concretas sem responder a nenhuma. Portanto, com clareza:

A hipocrisia do acusador não torna falsa a acusação. Se agentes ruandeses mataram Patrick Karegeya, isso é um homicídio, e o facto de outros Estados também matarem pessoas no estrangeiro não é defesa. Se há forças ruandesas a operar no leste do Congo, o sofrimento ali é real, e a existência das FDLR explica o interesse de segurança sem autorizar tudo o que se faz ao seu abrigo. Um resultado eleitoral de noventa e nove por cento não se torna legítimo por a Arábia Saudita não realizar nenhum. Os ruandeses que têm medo de falar não têm menos medo por os críticos europeus serem hipócritas.

E a versão mais forte da crítica não vem de Bruxelas. Vem de ruandeses (incluindo sobreviventes tutsis e antigos oficiais da FPR) que apoiaram o projeto e dizem agora que o espaço se fechou demasiado. A essa crítica não se pode responder apontando o registo colonial de ninguém.

A posição da crónica é, pois, esta: sustentar as duas coisas. O registo de desenvolvimento é real e historicamente extraordinário. As restrições políticas são reais e impõem custos reais a pessoas reais. O duplo critério com que tudo isso é relatado também é real, e não é acidental: é o hábito de quatrocentos anos que o capítulo 8 descreveu, ainda a funcionar.

Por que a competência de um país pequeno é um grande problema

A tese central da crónica reduz-se a algo simples. A hierarquia global descrita nos capítulos 8 a 21 sempre assentou numa proposição sobre capacidade: que alguns povos constroem e outros não conseguem, que alguns governam e outros têm de ser governados. Todos os capítulos da história dessa hierarquia precisaram de que a proposição continuasse verdadeira.

São Domingos falseou-a militarmente em 1804 e foi faturado por isso até 1947. O Ruanda falseia-a administrativamente: não com retórica, mas com taxas de vacinação, cobertura de seguros, uma burocracia que funciona e uma capital que funciona, construídas pelas pessoas que em 1994 foram deixadas a morrer por todos os que agora oferecem conselhos.

Isso é genuinamente intolerável para o modelo, e o modelo tem respostas preparadas. Pode insistir que os números são falsos. Pode insistir que um êxito comprado sob um governo autoritário não conta, critério não aplicado a nenhuma história de desenvolvimento da Ásia Oriental. Ou pode concentrar-se num só homem, para que uma realização nacional se torne uma anomalia pessoal em vez de prova sobre o que os africanos conseguem fazer.

A crónica não pede ao leitor que admire o governo do Ruanda. Pede-lhe que repare no que acontece à análise quando um Estado africano faz aquilo que a análise dizia que não conseguia fazer, e que pondere se o juízo resultante está a ser feito sobre as provas ou sobre um hábito de quatro séculos.

Restam duas perguntas. O capítulo seguinte olha para dentro, para a instituição que formou a consciência do país, a traiu e ainda comanda os seus domingos. O seguinte pergunta o que conclui um Estado pequeno sobre a sua própria segurança depois de ter visto o mundo decidir, duas vezes, que o seu extermínio era problema de outra pessoa.

Notas

  1. Relatórios do Grupo de Peritos da ONU sobre a República Democrática do Congo, apresentados anualmente ao Conselho de Segurança ao abrigo de sucessivas resoluções, em particular os relatórios finais de 2012, 2022, 2023 e 2024; e as respostas publicadas pelo Governo do Ruanda. ↩
  2. «Rwanda: why the poverty rate is in dispute», Financial Times, agosto de 2019, e a troca académica que se seguiu; An Ansoms et al., «Statistics versus livelihoods: questioning Rwanda's pathway out of poverty», Review of African Political Economy 44:151 (2017), pp. 47–65; e, para a metodologia do governo, a série de inquéritos EICV do Instituto Nacional de Estatística do Ruanda. Para o relato crítico geral, Filip Reyntjens, Political Governance in Post-Genocide Rwanda (Cambridge, 2013); para o favorável, Phil Clark, Distant Justice (Cambridge, 2018), e Stephen Kinzer, A Thousand Hills (Hoboken: Wiley, 2008). ↩
Dramatis personae

Quem esteve envolvido

  1. Figuras

    Paul Kagame

    b. 1957 RPA commander; President of Rwanda since 2000

    The project, and its constraints

    Born in Rwanda, raised in Ugandan exile, head of NRA military intelligence, and on a course at Fort Leavenworth when the invasion he had helped plan went wrong. He flew back, took command of a broken force, and withdrew it into the Virungas rather than fight for ground it could not hold. Effective ruler from 1994 and formally president since 2000, he has won elections with 95, 93 and 99 per cent, figures that are not evidence of popularity but of a contest that is not open.

    Waugh, Paul Kagame and Rwanda (2004) · Reyntjens, Political Governance in Post-Genocide Rwanda (2013)

  2. Fações

    The RPF

    Rwandan Patriotic Front · Front Patriotique Rwandais

    1987 – present The movement of the exiled generation

    A country to go back to

    Formed in Ugandan exile by a generation that had been told its non-existence was permanent. Its programme on paper was not ethnic: return of refugees, national unity, an end to the system of ethnic classification. It was nearly destroyed in October 1990, rebuilt itself over a winter above three thousand metres in the Virungas, and took Kigali on 4 July 1994. It stopped the genocide. It has been the dominant political force in the country ever since.

    Prunier, The Rwanda Crisis (1995)

  3. Figuras

    Victoire Ingabire

    b. 1968 Opposition politician

    The cost of contesting

    She returned from the Netherlands to contest the 2010 election, was prosecuted and imprisoned, and was released by presidential grace in 2018. Diane Rwigara was disqualified, prosecuted, and acquitted. Journalists have been imprisoned and several have disappeared. The government’s answer — that unrestricted ethnic party politics is exactly what produced 1994, and that PARMEHUTU won a free election in 1960 and used it to organise expulsion — is not frivolous, and it is not a complete answer either.

  4. Figuras

    Patrick Karegeya

    1960 – 2013 Former head of external intelligence

    Exile, and then a hotel room

    He was strangled in a Johannesburg hotel room on New Year’s Eve 2013, and a South African inquest concluded that Rwandan state agents were responsible. Hypocrisy in the accuser does not make the accusation false: that other states also kill people abroad is not a defence, and the strongest version of the criticism does not come from Brussels but from Rwandans (including survivors and former RPF officers) who supported the project and say the space has closed too far.

  5. Fações

    M23

    Mouvement du 23 Mars

    2012 – present Armed group in eastern Congo

    Disputed, and documented

    Successive reports of the UN Group of Experts (a body mandated by the Security Council) have documented Rwandan support for it, including the presence of Rwandan Defence Force personnel on Congolese territory, command support and materiel. Its capture of Goma in the 2024–25 escalation produced mass displacement and killings. Rwanda denies the characterisation. The suffering is real, and the FDLR’s existence explains the security interest without licensing everything done under it.

    UN Group of Experts on the DRC, final reports

  6. Fações

    The UN Group of Experts on the DRC

    2004 – present A Security Council monitoring body

    The mandate

    It reports annually to the Security Council, and its findings on Rwandan involvement in eastern Congo are the most serious and most current item in the case against Kigali. This chronicle does not get to cite UN findings when they are convenient and dismiss them when they are not, a rule it applies equally to the 2010 Mapping Report and to the Security Council’s own conduct in April 1994.

  7. Figuras

    Filip Reyntjens

    b. 1952 Belgian jurist and Africanist

    The critical case

    The most systematic academic critic of post-genocide Rwandan governance, and a scholar whose earlier work helped draft the country’s transitional legal framework. His presence in this register is deliberate: the criticisms in chapter 28 are stated at full strength from sources like his, because a chronicle that only quoted the government’s case would forfeit the right to be believed about anything else.

    Reyntjens, Political Governance in Post-Genocide Rwanda (2013)

  8. Figuras

    Phil Clark

    b. 1979 Political scientist of transitional justice

    The sympathetic reading, argued

    His fieldwork on gacaca makes the case that a locally rooted process, for all its documented failings, achieved something the international tribunal at Arusha could not: it ran where the crimes happened, in the language the witnesses spoke, at a scale no conventional judiciary could manage. He is here beside Reyntjens deliberately. Holding both readings at once is the only honest position available on this material.

    Clark, The Gacaca Courts (2010) · Clark, Distant Justice (2018)

rwandafacts Uma crónica académica, com fontes.
O conteúdo é anotado; correções são bem-vindas.